Asas que um dia o Museu Nacional me deu

Carolina
Carolina
Sep 3, 2018 · 2 min read

Esse texto não é só uma prosa, mas sim um manifesto.

Escrevo isso porque sei que, assim como as borboletas se foram, minha memória também irá.

Me lembro que, quando criança, dentre as várias peças que olhei naquele dia, a que mais me marcou foram as borboletas.

Eu sabia que estavam mortas, talvez entalhadas ou alguma coisa assim (não entendo nada de conservação) mas, pra mim, estavam vivas e prestes a voar.

Eu, quando criança, esperei isso. Que voassem e me mostrassem a liberdade que um dia tiveram. Que me levassem com elas porque, naquele momento, eu também queria ser livre.

A borboleta, pra mim, era a liberdade que a educação um dia ia me dar. Eu estava realmente esperando que ela me ensinasse a ver o mundo, e me levasse a lugares inimagináveis. De certo, eu era lagarta, em pleno casulo, esperando sua hora.

Ontem, as borboletas se foram. Viraram cinzas e, junto delas, meus quereres de crianças. A liberdade que eu quero ter também está em jogo. Está ali, presa numa sala mal cuidada, prestes a queimar. Um incêndio começa e estamos sem ter pra onde voar. Eu e milhões sendo governados por um estado que chora sem lágrimas segurando o microfone da imprensa, mas com o fósforo escondido no bolso.

Não quero virar cinzas.

Carolina

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