Dir-se-ia mais simples, mesmo a este ponto, esquecer-te. Em um túmulo, com todos meus pensamentos acerca de ti, enterrar-te. Na roda de dança, te deixaria ir, tocaríamos os pares, e nunca com a mesma chama se encontrariam nossos olhos. Eu pude, deveras, deixar- te, mesmo que apenas em lampejos… não rogava-lhe a existência. Assombrava-me, era mais tangível que todos os meus sonhos… esquecer-te! Enfim me libertar de todos os tremores que me traziam as estrelas – a simples ideias de não ter-te! ah… eu temia temer, e isso, em si, já era um pecado. Não te restaria nada em mim, senão a lembrança de como eu te desejara outrora, de como eu queimava sob teu olhar, de como mentira sobre tua pele, não te restaria nada… Vertiginosa morreria minha memória, não te recordaria o vento, tampouco falariam de ti as rosas, nem te evocaria o violino da orquestra. Ah! Ideia aterrorizante e adorável, como seus olhos sob a meia luz da lua cheia. Abandoria-me todo medo e, céus, como seria livre sem ele… Voltaria para meu berço vitalício, o vento, como uma gaivota, ele me levava a todo o mundo, e havia tanta coisa que eu queria ver! Eu era do mundo, por que deveria me prender assim? Por que me prendias assim? Pedia-te que me desse liberdade. Românticos, naturalmente, não sabem amar, egolátricos assumidos, sim, é torpe o romance. Dos sórdidos detalhes, não guardariam a ti, quiçá o vigor da ocasião. Mas ainda assim… ainda assim havia algo que me impedia de dar consequência a minha revolta, havia, sim, de fato, havia algo que fazia parecer agradável estar manietado às suas maneiras. Não estava em ti, mas na lisonjeira atmosfera que te cercava, havia qualquer coisa como o brilho do sol em seus olhos que me fazia insurgir contra toda forma de alforria, me prometias a todo instante manter-se assim enquanto eu ficasse, manter-se eterna ao meu ver, inteira em seus pedaços, prometia-me um mundo limitado a ti, e eu me deleitava! Eu poderia jurar amar-te, brandava ao vento: amar-te-ia para sempre, ah! mesmo sabendo que não era eterno o chão que pisava. Ansiava em amar-te, e amar é sempre ansiar por amor, queria ter-te de todos os jeitos, ora, mas já a tinha! O almejo pelo inalcançável, pois nunca atingiria a forma sórdida e arrebatadora que tinha meu amor em palavras. Sem dúvidas, era mais fácil esquercer-te. Entretanto, entregava-me, não a ti, mas ao mal dos romanticos, amar puramente o amor, sem nunca senti-lo, de maneira infinda almejar querer-te.
