silêncio

disseram para eu me manter viva

que a morte não era a saída.

disseram-me que havia brilho na vida

e que, um dia, por ele eu seria acometida.

disseram me amar

e era isso que pintava a falta de sentido do caminho de ida.

e eu os questionei,

qual é o sentido de andar em direção à morte se ela não é a saída?

que importância tem o brilho se a visão foi apenas prometida?

por que agradaria-me ver cores se a batalha já fora vencida?

e

eles

disseram:

vale a pena. vale a pena. vale a pena.

eu duvidei, era sempre nunca, eu era pequena.

de repente, eles pararam de dizer.

de repente, eu parei

eu parei

e escutei o seu silêncio.

eles diziam tanto,

eles gritavam, e você não dizia nada.

eu parei e, como se escuta uma melodia,

eu escutei o que você não dizia

e era muito

muito

era muito mais do que eu jamais sonhara em ser.

você tinha respondido minhas perguntas sem dizer nada

repentinamente,

eu era. eu era.

sem nenhuma palavra, eu descobri,

era isso que dizia a vida.

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