amizade por conveniência.
Hoje mais cedo na aula de ética, um colega fez um comentário sobre a “economia dos relacionamentos” e eu só consegui pensar no quão bizarro isso é e em como isso acontece diariamente.
Amor é um sentimento e não um investimento na bolsa de valores. Não é possível medir o quanto você se doa dentro de um relacionamento, seja ele qual for, porque se você é capaz de fazer essa medição, definitivamente não é puramente amor.
Cada pessoa entra em um relacionamento procurando sentir alguma coisa, e você não escolhe se apaixonar, mas pode escolher continuar apaixonado, porque isso sim é trabalhoso, e envolve outras questões. E o mesmo funciona para amizades.
Eu tenho amigos. Mas eu não tenho amigos. Todas as pessoas que estão na minha vida é por alguma conveniência. E isso é errado.
Especialmente porque essa conveniência é mais por parte das outras pessoas do que minha. Eu sou a amiga que as pessoas sempre procuram quando alguma coisa está errada, e (quase) nunca para quando as coisas vão bem.
Eu sou a amiga do choro, da tristeza, dos conselhos, das dores, das raivas, dos desesperos. E por que? Em algum lugar na mente das pessoas ao meu redor, eu sou a pessoa controlada, estável, conselheira, com a cabeça no lugar. Mas isso é mentira.
Eu não sou nada disso. A questão é: de todos os problemas que os meus amigos estão passando, eu já passei e estou passando. E eu sou capaz de ajudar-los porque eu me ajudei sozinha, eu sobrevivi sozinha.
Eu aparento ser a pessoa mais transparente do universo, mas é só disfarce. Porque se as pessoas acham que sabem tudo sobre você, elas perdem a curiosidade e param de prestar atenção nos detalhes, porque elas acham que já te conhecem.
Mas ninguém sabe exatamente o que eu estou passando, e já passei nesses 21 anos. Porque se soubessem, não seriam meus amigos nem por conveniência.
