Boyhood: Uma história sobre nós.

O momento que está aproveitando você.

É do primeiro dia numa escola nova, é na mudança de cidade, é no primeiro amor, é na descoberta da sexualidade, é no uso de bebidas alcoólicas, é no amor e na rejeição que esse filme conta a nossa história.

Diferente dos filmes que estamos acostumados a ver, que possuem foco em um drama específico, Boyhood quebra as barreiras, onde nesse caso, o foco é a vida, a vida e toda sua pluralidade até um suposto amadurecimento.

O filme basicamente retrata a história do crescimento de Marson, dos 6 aos 18 anos, quando ele vai pra faculdade.

Só isso? Só.

Mas o que acontece com Marson? Cresce, muda de casa, vai pra escola, namora, faz amigos, sai e volta pra casa (sintetizando). E isso faz com que seja quase impossível que ninguém tenha se identificado com nadinha do filme. Sem perceber a gente torce por Marson e a gente revive todas as etapas da vida novamente.

Veja bem, o diretor do filme, Richard Linklater, poderia por exemplo, ter criado um drama em um dos acontecimentos mais marcantes da vida de Mason, já que ele passa por várias situações complicadas, desde bullying, a um pai ausente (tentando ser presente) e violência doméstica. O foco principal poderia ter sido que Marson, por consequência desses situações, tivesse problemas psicológicos, poderia usar drogas como válvula de escape, tentativas de suicídio e quem sabe o filme poderia falar sobre a superação de tudo isso.

Mas aaaaa, a gente já vê tanto isso no cinema! Com certeza muitas pessoas se identificariam, mas sem querer desmerecer os dramas: quem é que fala de nós?

Nós que também passamos por situações tristes na infância, adolescência e vida adulta. Nós que também sofremos por ausência dos pais, ainda que presentes. Nós que também fomos rejeitados em tantas coisas, mas que não deixamos a nossa vida parar e seguimos em frente.

Nossa história, que não intensifica o drama dessas situações, sempre pareceu “mais ou menos” demais pro cinema. Sempre existiu duas opções nesse tipo de narrativa: ou se é muito feliz ou muito triste.

Mas Boyhood veio quieto e sorrateiro(rs) e mostrou a beleza que também é ser eu, ser você, sermos nós. E que essas rotinas diárias constroem a nossa história, merecedora de Oscar!

A delicadeza com que é tratada toda a construção do filme é incrível, e minha opinião: Os 12 anos pra finaliza-lo, não foram em vão! Ver a naturalidade do envelhecimento dos personagens, que apesar de ter foco principal em Marson, segue paralelamente um roteiro de forma polifônica, porque o crescimento e amadurecimento (principalmente da mãe e do pai de Marson) acontece com todos e com a mesma naturalidade.

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