As 30 músicas definitivas de 2017 (até agora)
Já analisaram como foi o primeiro semestre de vocês? O meu foi um pouco controverso, mas o musical foi muito movimentado. Por isso, eu reuni as minhas forças durante o mês de julho para separar os momentos definitivos de 2017 até agora. Mas por que o termo “definitivo”?
Eu não curto muito utilizar o termo “melhor”. Claro que pessoalmente eu comparo projetos artísticos como qualquer outra pessoa, mas como uma pessoa que pretende produzir e que compõe aqui e ali, vejo de forma um pouco antiética apontar ruins e bons dessa forma. Amo e acompanho muito o trabalho da crítica musical, mas não me considero parte dela pois estou aprendendo e descobrindo sons novos como qualquer artista dessa lista.

“Definitivo” é um termo que une o que eu gosto com o que eu acredito que deva ser ouvido. Eu poderia muito bem apenas colar meu top 30 do last.fm com o que eu mais ouvi em 2017, mas acho muito simplista. Eu gosto de ouvir e de comentar o que eu escuto, de mostrar músicas para as pessoas. Eu não mostro que estou ouvindo Anitta ou um cantor russo só para dar close. Eu quero que mais pessoas conheçam artistas novos (de preferência, os que eu gosto pois já estou cansado de falar sozinho de tal fulano que é sensa e ninguém conhece *risos*).
Para essa lista, foram consideradas 130 músicas lançadas de janeiro a julho de 2017. Eu gosto de todas essas 130 e foi muito difícil reduzir isso em apenas 30 itens (era pra ser 25 ainda). Por isso, não me matem se eu esqueci artista x ou y, porque tem grandes chances de eu ter gostado muito, mas acabei não achando que era tão definitiva quando essas 30 que vocês irão ler agora (imaginem o inferno que vai ser a lista de fim de ano). Sim, tenha a certeza de que eu ponho a minha mão no fogo por todas estas faixas. Até rolou umas menções honrosas na final, que também estão presentes na playlist.
Cada faixa foi comentada bem na camaradagem, pois eu precisaria de mais tempo para estudar cada faixa e bolar uma resenha mais profunda. A ordem foi formulada pensando na playlist do Spotify (que podes ouvir aqui), então não tem ideia de posição. Cada título tem o link para a música no Youtube. Bom, é isso! Espero que goste! Não esqueça de comentar!

Lolita Zero — Get Frighten
Mesmo com a vitória de “Rain of Revolution”, a primeira coisa que os lituanos vão lembrar da seletiva nacional para o Eurovision é uma drag com chifres que soltam faíscas. “Get Frighten”, um synthpop que consiste em vocais que lembram Pabllo Vittar, é o melhor show de horrores que eu vi durante toda essa temporada eurovisiva. Quer melancia, @ ?
Kendrick Lamar — DNA.
Foi difícil escolher qual música do Kendrick colocar, mas acabei por escolher “DNA.”, já que a faixa praticamente não tem defeitos: desde a produção certeira do Mike Will Made It aos versos agressivos, a faixa é um soco na cara do ouvinte (inclusive na da Fox News também). É uma grande candidata a música do ano.

Iveta Mukuchyan — Keep on Lying
Mostrando versatilidade ao lançar algo próximo ao pop soul, Iveta Mukuchyan não cansa de mostrar porque é uma das melhores artistas que já pisaram no palco do Eurovision. Número #1 no meu Snapgram, recomendo fortemente o EP que contém essa música. Fiquem de olho nessa mulher PELO AMOR DE DEUS.
Vitor Marx — Medo
Em “Medo”, o cantor porto-alegrense foi bastante preciso na pegada synthpop “espacial”, totalmente diferente dos seus trabalhos anteriores, sintetizando perfeitamente o seu momento como artista e como ser humano. Seu novo álbum já está disponível nas plataformas de streaming. Tá esperando o que, @pitchfork? Toma vergonha na cara e escuta o menino porque ele produz as faixas muito bem.

Ulver — Rolling Stone
Se tu curtiu a faixa anterior, com certeza vai se encontrar em “Rolling Stone”, faixa que une duas coisas que eu amo: faixas longas e synthpop. Prestem atenção nesse refrão, que é fantástico!!!!!!!

MC Fioti — Bum Bum Tam Tam
Esse lugar ia ser do Kevinho, mas as duas músicas que ele lançou envelheceram muito mal. “Bum Bum Tan Tan” serve como o registro mais memorável do funk do primeiro semestre (desce a flautinha).
Lorde — Sober
Mesmo infinitamente melhor que Green Light, ela funciona perfeitamente como a “segunda música do álbum”, pois representa bem a transição entre a festa e o pós festa e todas as problemáticas que ela aborda no restante do “Melodrama”. Candidata forte a música do ano, viu? Tenho até dificuldade em descrever como eu amo esse hino.

Machel Montano & Bunji Garli — Buss Head
Prometi nesse ano que iria sair um pouco desse circuito “música do primeiro mundo” e em janeiro fiz algumas pesquisas sobre a música caribenha. “Buss Head” é um dueto entre dois dos maiores nomes da música trinitina (Machel Montano, aliás, sempre figura nos projetos do Major Lazer), com bastante patois e dancehall de verdade.
Koit Toome & Laura — Verona
Mesmo torcendo o naria tudo que veio relacionado a essa música depois do Eesti Laul, é dificíl ignorar quão boa é esta música. Ela pode parecer um pouco nostálgica demais, mas os dois demonstram muita química nos versos e o flow da faixa é de tirar o fôlego (no caso o meu, de tanto que cantei no banheiro). Floparam no Eurovision, mas no meu coração não.

Marina Satti — Mantissa
Eu acompanho a música pop grega desde 2015, mas nesse meu terceiro ano eu senti um leve desgaste no modus operandi dos artistas populares de lá. Porém, Marina Satti parece ter mexido o cenário com “Mantissa”, faixa que flerta com o pop, o indie e com a música tradicional do país. O resultado é tão bom quanto o clipe, que já esta próximo dos 20 milhões de visualizações (expressivo para um clipe grego).
Tyler, The Creator — WHO DAT BOY
Não sei se tem relação, mas sinto que essa música é uma versão melhorada de I’m Better da Missy Eliott. Quanto mais eu escuto, mais eu amo. AGORA VAI, TYLER.

Jamala & DakhaBrakha — Zamanyly (Morphom Version)
Não pensava que Jamala pudesse repetir (ou até mesmo, superar) a truculência artística de “1944”, música que trouxe o Eurovision para a Ucrânia neste ano, mas felizmente eu estava completamente errado. Junto do respeitado grupo de folk étnico DakhaBrakha, a “porteira do Enem” me surpreendeu novamente ao cantar em cima dessas batidas agressivas. Eu amaria mais se estivesse no Spotify…
David Bowie — When i met you
Lançada no EP póstumo que saiu em janeiro, “When I Met You” serve como um tributo de Bowie para a sua esposa Iman. É muito bonitinha e lembra um pouco da parte mais introspectiva do “The Next Day”
Mike — Figame
Se tu curte rebolar nas festinhas, essa é a tua música. Que beat foda, amigos.!!!

Katy Perry — Swish Swish (ft. Nicki Minaj)
Se os dois primeiros singles (ótimos, por sinal) têm alguns probleminhas, “Swish Swish” é a pedida mais racional para esta lista. Com uma pegada deep house, Katy nunca foi tão debochada como nessa música.
Triana Park — Line
“Line” ficou em último na semifinal 2 do Eurovision pois o programa não dá margem para o tempo. E uma música dessas requer um certo número de ouvidas para ser engolida. Comecei odiando e hoje amo a experimentação eletrônica que o Triana Park trouxe.

Jana Burčeska — Dance Alone
Com a melhor música pop (synthpop, aliás ❤) dessa edição do Eurovision, Jana Burceska sofreu do mal do staging e acabou ficando na semifinal. E dá para entender: a faixa era de difícil execução no palco, já que a produção é bastante densa e os vocais da cantora estavam um pouco alterados. Foi mal no festival, mas no Spotify foi sucesso!
Alpargatos — Super Homem, Astronauta

Não fique chocado se esse vídeo se tornar em algum instante, já que é impossível não se deixar levar pelo projeto visual da banda gaúcha Alpargatos. Intitulado “Essa cidade cheia de heróis”, o EP conta com duas faixas, mas selecionei “Super Homem” pois me identifiquei mais com o contexto trazido. Aliás, se você é jovem, vai facilmente se enxergar na honestidade e criatividade trazida pela banda ao contar seus problemas.
Brockhampton — Star

“I don’t fuck with no white boys. Unless that nigga is Shawn Mendes”
Papai Joci— Origo
A música envelheceu um pouco mal, mas “Origo” continua um dos momentos musicais mais intrigantes de 2017. Não é todo dia que a gente vê um cigano húngaro misturando folk pop do país com um rap no final. E o melhor: funciona!

Perfume Genius — Slip Away
Mesmo não conseguindo entrar no hype acerca do “No Shape”, é muito fácil perceber o porquê de tantos críticos se sentirem convidados a ouvir o projeto: tem melhor cartão de visitas do que “Slip Away”? Arrumem um instrumental mais poderoso que esses e eu repenso, mores.
Phoenix — Ti Amo
MEU INDIE TÁ VIVO! “Ti Amo” cumpre o papel de faixa-título e resume o álbum do Phoenix: uns riffs legais com uma letra engraçada misturando elementos da cultura italiana aleatoriamente. Sim, eles falam do Festival de San Remo na faixa. Vem eurofãs!!
Naggô — Compromisso
Em “Compromisso”, Naggô já mostra o porquê de figurar como uma das apostas da Lado Sul, oferecendo boa performance vocal e bom senso de composição. Quantos hits podemos esperar desse menino? Estou aguardando fortemente o EP do coletivo, que deve sair em agosto, bem como o projeto solo dele (“Rubra”) que deve sair até o final do ano.

Shea Couleé — Cocky (Feat. Lila Star & The Vixen)
Enquando Azealia Banks demora para dar as caras, Shea Couleé ajuda a gente com essa delicía inspirada na hip house. Sério, eu amo muito esse instrumental e ele traduz bem o que elas querem passar: o close.
Major Lazer — Sua Cara (ft. Anitta & Pabllo Vittar)
Entre as músicas da Anitta, acabei apenas escolhendo “Sua Cara” para entrar na lista, já que a faixa é a consolidação da cantora como a artista mais bem sucedida do Brasil no momento. A letra é o típica da cantora, mas ela canta com ferocidade e certeza jamais vista. Pabllo Vittar se encaixa perfeitamente na música, mostrando que o pop brasileiro anda assim: se tornando global, colorido e mais diverso.

Artsvik — Fly With Me
Declarada minha música favorita no Eurovision deste ano (e a minha música mais ouvida de 2017), não será nenhuma surpresa caso o artpop armeno acabe liderando minha listinha de final de ano.
Drake — Passionfruit
Acho um porre quando o Drake faz rap introspectivo (alô Views), mas cantando ele geralmente abraça a sofrência sem ser tão chatinho. “Passionfruit” é um bom exemplo disso, me fazendo rir sempre com a introdução da faixa. FUCK THAT SHIT
Paramore — Rose Colored-Boy
Comendo os álbuns do Talking Heads com arroz e feijão, “Rose Colored Boy” é o momento mais colorido (bat dum dss) do álbum “After Laughter”. Eu SEMPRE fico com um sorriso no rosto ouvindo esse hino. Tenta também :)

Daði Freyr Pétursson — Is this love?
Destacada como uma das grandes surpresas do Söngvakeppnin (leia meu post sobre os álbuns de 2017), seletiva islandesa para o Eurovision, “Is This Love?” se tornou um dos momentos mais distintos do pop em 2017. É a música certa, com o cantor certo e com a performance certa. Viram como não precisa ter a voz dos deuses pra fazer música legal?
Susanne Sundfør— Undercover
Querendo me deixar com pressão alta e dores no peito, Susanne Sundfør lançou a faixa mais triste do ano até agora (talvez da carreira também). Pois é, aparentemente ela sabe muito bem que tem uma das mais belas vozes da indústria musical e resolveu tocar essa balada na cara dos fãs. Amem, Suzana. Lança o álbum logo, bicha!!
MENÇÕES HONROSAS (estão na playlist também)
Ivi Adamou — Afto Ton Kero
Anitta — Paradinha
Arca — Desafio
Alma — Requiem
Kasia Mós — Flashlight
Naviband — Historyja Majho Zychia
Calvin Harris — Feels
Eleni Foureira — Mono Gia Sena
Rolling Blackouts Coastal Fever — French Press
LOBODA — Sluchaynaya
