A solidão da independência romântica.

Não gosto muitos de textos em primeira pessoa, sempre achei que esse tipo de escrita fazia todo o encanto ser perdido, mas as vezes somos obrigados a ceder em alguns pontos a fim de conseguir nos abrir um pouco mais com nós mesmos. E entendam isso como quiserem. Ando tentado refletir muito sobre eu mesma e como me envolvo com o mundo à minha volta, ou pelo menos com as pessoas com quem convivo. Mais especificamente, aquelas com quem me envolvo romanticamente falando. Todos que me conhecem sabem do meu enorme problema com relacionamentos, e já perdi a conta de quantas vezes escutei coisas como “seu namorado é perfeito, como assim não gosta mais dele?” e eu não sabia como responder. Não sabia se agia mais grosseiramente, pedindo à pessoa que não se metesse nos meus assuntos, ou se chorava e concordava, dizendo que eu só poderia ter algum tipo de problema mesmo. Por muito tempo acabei apenas deixando isso de lado, se fosse para acontecer, aconteceria, caso contrário, muito obrigada pelas lembranças.

De uns tempos para cá, porém, mais exatamente nos últimos meses, tentei me abrir um pouco mais ao assunto, tentei enxergar os outros com outros olhos, tentei lhes dar chances quais eu nunca pensaria em dar… Tudo estava indo certo, como sempre vai. Até que o de sempre torna a acontecer. Sabe quando você está tomando um banho totalmente quente em uma noite de inverno e a chave geral do quadro de energia cai? A água gela, a luz apaga e você não sabe o que fazer, apenas tenta gritar por ajuda, ou então dá um jeito de se virar sozinho? Essa é a forma mais fácil de expressar como eu me sinto. Está tudo indo bem, eu estou me envolvendo, gostando, mas quando pareço ficar vulnerável demais ou me permitindo aproveitar demais, a chave geral do interesse, do desejo simplesmente cai, e como num passe de mágica eu estou fazendo o possível para evitar a pessoa que, até então, eu abria insistentemente o chat de conversa para checar se algo havia chegado.

Eu não vejo isso como uma coisa ruim, mas sei que é. A dependência total é um caos. A independência total também. Fico me perguntando de onde vem isso… Se é do exemplo que eu sempre tive na minha família, principalmente de minha mãe, que sempre criou as filhas sozinha e nunca precisou de um parceiro/a para ajudá-la e não parece ter se arrependido das escolhas que fez para chegar à atualidade solteira (embora eu não tenha como saber o quão verdade isso é). Se é da minha vontade de provar a mim mesma que eu não preciso de ninguém me dando carinho para conseguir me completar, porque eu mesma, sozinha, já sou completa e qualquer forma de amor em relação à mim demonstraria fraqueza, demonstraria que eu mesma estive me enganando até agora e não posso conviver com isso. Se é o medo de acabar me tornando, aos poucos alguém dependente de outro ser.

Apenas me pego entre a certeza de não querer ninguém e a leve curiosidade sobre como é ter alguém.