Sobre viajar sozinha pelo Leste Europeu por um mês

Sempre que eu contava a alguém que iria viajar sozinha por essas partes do mundo, a reação da maioria das pessoas variava entre “tu é louca, guria” ou “cara, que incrível”. Depois de um mês explorando cantinhos que eu nunca tinha imaginado que existissem, posso dizer que a experiência é uma perfeita mistura das duas coisas.
Viajar sempre foi uma questão de “quando” para mim, não de “se”. Desde pequena, eu escutava as histórias da minha avó materna sobre viagens longínquas de navio para a Alemanha, feitas quando ela mesmo era apenas uma criança, muitos anos antes de sequer sonhar em ter a minha mãe. Ouvia também as histórias da minha avó paterna, sobre as aventuras de carro que ela tinha feito com o meu avô pelo interior do Uruguai, quando ele ainda era vivo, e meu pai era pequeno. Não lembro direito dos detalhes de nenhuma dessas histórias, mas sei que elas incitaram em mim uma curiosidade incontrolável de conhecer a maior quantidade de lugares possíveis no mundo.
Tive a sorte e a oportunidade de conhecer vários lugares incríveis nesses meus 21 anos, tanto no meu país quanto em outros. Um mais lindo do que o outro, todos ao mesmo tempo saciando minha vontade de conhecer, mas ao mesmo tempo aumentando ainda mais minha curiosidade. Tenho um problema que sempre volto de viagem já pensando no próximo lugar para onde eu vou.
Porém, um detalhe: Eu nunca tinha viajado completamente sozinha.
Com família, amigos, colegas? Sim. Sozinha? Nunca.
Aliado a isso, eu me coço de vontade de conhecer o leste + balcãs há um bom tempo, mas não gosto muito (nada) de frio e não tinha achado chances nem preços bons para visitar esses lugares no verão.
Enfim, finalmente me surgiu a oportunidade: conhecer esse lado menos explorado da Europa, e durante o verão. Os desafios? Estar sozinha, em países onde poucas pessoas falam inglês.
Para começar, viajar sozinha é algo engraçado se você não esta acostumada a fazer as coisas só. Seja almoçar, visitar um museu, dar uma caminhada ou até mesmo dormir. É muito positivo saber aproveitar sua própria companhia, mas depois de dias nessa rotina, é muito fácil sentir-se solitário, mesmo nos lugares mais lindos do mundo.
Não estou dizendo que viajar sozinha significa estar sozinho o tempo todo. Claro que encontrei amigos, fiz amizades e interagi com muitas pessoas durante esse mês, porém são coisas diferentes, uma vez que grande parte da viagem em si realizei sozinha mesmo. E é claro que posso ligar para minha amiga Paula e contar para ela o quão incrível foi experimentar pierogi em um restaurante polonês típico, ou posso mostrar minhas fotos nadando em Bled para Yohan, um querido viajante que conheci no meu hostel em Ljubljana, mas não será a mesma coisa que ter experienciado essas coisas ao lado deles.
É por isso que viajar sozinha é algo tão único. Por mais clichê que isso soe, é saber enfrentar seus medos, sejam eles de algo bobo como fazer refeições sozinhas, ou algo desafiador como encarar uma trilha de 8km morro acima.
Viajar sozinha é conhecimento, é medo, é tristeza, é euforia, é felicidade, mas é principalmente descoberta, minha e do mundo. Acordar todos os dias e conhecer uma cidade, um país novo, foi uma aventura como eu nunca tinha vivido antes. Dá saudades de casa, mas também dá vontade de nunca mais voltar. É uma contradição confusa, uma experiência difícil de colocar em palavras, o famoso “só vivendo mesmo”. Por fim, viajar sozinha é aprender a deixar um pouquinho de si em cada lugar visitado, e é saber levar um bocado.
Então, se eu puder dar uma dica somente para alguém que esteja pensando em viajar sozinha é: Vá.
ps.: caso alguém se interesse no meu roteiro, vou deixá-lo aqui:
Hamburgo (Alemanha)-Berlim — Varsóvia (Polônia) — Cracóvia — Lviv (Ucrânia) — Budapeste (Hungria) — Belgrado (Sérvia) — Bar (Montenegro) — Sutomore — Budva — Podgorica — Sarajevo (Bósnia e Herzegovina) — Ljubljana (Eslovênia) — Bled — Trieste (Itália ) — Munique (Alemanha) — Frankfurt.
