Ausência

Os Famosos e os Duendes da Morte (2009)

Disseram-me que uma pessoa encontra alguém a quem chame de ‘alma gêmea’, ou qualquer coisa que o valha, por pelo menos uma dúzia de vezes na vida. Nunca duvidei disso, soava verdadeiro e prático. Entretanto encontrei em si a pessoa que eu amaria e por mais que eu rolasse os dados esperando encontrar resultado novo, estes, viciados, só me mostravam você.


Quando enfim acordei do sono paralisante da vida estendi minha mão em sua direção, tateando, tentando discernir seus contornos em meio às formas do mundo, mas somente o vazio me esperava. É essa ausência que me deixa perplexa, sei que está em algum lugar, que talvez possa me ver, me ouvir, porém permanece encolhido longe do meu toque, mas… por quê? Como isso pode acontecer?

Olho ao redor e não vejo ninguém. Principalmente, não vejo você. Entre as coisas tolas que eu sempre supus, achar que você sempre estaria ao meu alcance mesmo como o passar dos anos e a distância, essa foi a pior delas. É estranho que entre tantos devaneios juvenis, esse foi o que se manteve intocado ao longo dos dias. Talvez um pouco tarde demais, eu retornei ao lugar onde os sonhos nascem.