Divina treta

*
1.
sob a rede, 
a trama que cobre-revela
tudo, 
toro que se pare
enquanto come o próprio rabo,
a luz do escuro;

trampa sagrada,
trava e ponto cego
o véu que cai sobre todas as coisas 
dessa terra maldita daqui

o cursor
paira e pisca
feito fantasma

o sol morre laranja-caqui

no domo sujo,

deslembrado,

do céu

2.
treva e ponto final;
recomeça em outro tom,
mas no mesmo decassílabo sinistro

em Brasília,
dezenove horas

ainda sem saber 
se o que a gente viu
foi uma revelação

ou se o que fizeram ali
foi melhor apertar as amarras, 
dar o nó

(fechar o fecho, os
punhos; e só)

ainda o mesmo véu 
que cobre todas as coisas
dessa terra
agora esgarçado
feito pano de chão,
mas pregado nas mesmas tábuas;

se eu tivesse armadura
ou exoesqueleto

se o meu próprio nome
não fosse cagado-de-medo

eu não ficava quieto
raspava na hora
essas escrituras em sânscrito
das costas

tirava com laser
esses labirintos dos joelhos

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