Vírgula

Gabriela Macêdo
Sep 5, 2018 · 2 min read

Vírgula não é ponto final, não é o fim da linha. Diz que ainda dá tempo de mudar, caso você precise, queira, anseie. Vírgula não é dois pontos: não demanda explicação. Vírgula é continuidade, boa ou ruim. É a felicidade incessante que não pode acabar, é a desgraça eminente que você se recusa a tentar. Vírgula é tentativa. Ou pode ser obsessão. Com a vírgula, te chamo de determinado, ou simplesmente posso achar que está se conduzindo ao fundo do poço. A vírgula é pequena. Um mínimo detalhe, uma expressão. Pode simbolizar uma segunda, terceira ou quarta chance. Uma vírgula é capaz de mostrar o quão ruim em gramática uma pessoa pode ser, se mal ou repetidas vezes a aplicar. É alegria. É tristeza. É agonia e incerteza, frente a mil possibilidades que passam a existir. O fim da vírgula, é o fim da graça, é o fim do decidir caminhar na praça em um pôr do sol e o fim de todas as vezes que se pensou em voltar atrás. Mas saber da existência da vírgula, é neglicenciar todas as outras formas de pontuação que uma língua pode nos proporcionar. É desconsiderar os fins, não se importar com as explicações, expressões e questionamentos. Contar com a vírgula é estar despreparado. É não ter como finalizar o texto. É não perceber a si mesmo, os outros e a vida. O mundo. Esperar que a vírgula sempre esteja ali para dar a volta por cima de qualquer erro cometido é não se preocupar em cometer erros. É não valorizar o outro. É não valorizar a língua, o solo e a pátria. Valorizar a vírgula é importante. Mas visualizar a existência de um próximo parágrafo pode abrir portas, mundos, oportunidades. É valorizar o texto. A vida. A graça. Você.

Gabriela Macêdo

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estudante de jornalismo e história, com lugar fixo de moradia, mas sem alma fincada, que se descobre no céu de cada atitude e no chão de cada palavra