To be.

Têm dias que eu sou a própria fumaça do cigarro. Queimo e vou como desenho pro ar, danço com o vento e sumo nesse mundo. O vento me leva e eu não consigo encontrar pra onde ele me levou, desapareço. Têm aqueles que alcanço tanta luz que me sinto mais perto do sol branco de inverno. Aqueles também que me sinto a própria criança brincando de cambalhota e sorrindo como se a vida não passasse de um playground, o universo é aquilo ali. Sou tão volátil que saber quem eu sou é desafiador demais pra minha capacidade emocional. Mas a certeza que eu sou mais que um corpo, uma fumaça, uma luz ou um ambiente descontraído, me faz caminhar pra frente sendo tudo isso e carregando comigo as possibilidades ser muitas em uma só. Estar não é ser, essa é uma das minhas convicções. Não vim para estar na Terra, vim para ser a Terra. Transcende o que habito, as vidas que toco, as lições que somam e as que não acrescentam em nada. É mais forte do que a cabeça consegue racionar, mais profundo do que os olhos conseguem perceber. É pra quem é também, pra quem não quer estar e sim ser.

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