Ser mãe e/ou ser amada.

Deveria existir uma lei que protege o amor dos outros por uma mulher que cuida do seu filho?

Imagem da internet.

Ser mãe é necessariamente ter alguém dependendo de você e nisso uma oportunidade para compartilhar todo o seu amor e sentir um amor que não existe igual. É uma oportunidade para se transformar, para aprender e para viver coisas que você jamais viveria de outra forma. É sim um grande oportunidade de amar, de amar muito, de descobrir o que é o verdadeiro amor. E o amor é o que move o mundo e não deixa ele despedaçar, é o que cura as feridas, é o que move montanhas e faz a vida valer a pena. O amor é o que nos faz querer viver, para, por, com e na esperança dele.

Quem recebeu é aquele que dá, o amor é uma corrente que passa de um para outro, que só morre se alguém deixa a peteca cair. É ele que constrói relações, que une tribos e que diferenciou nós dos homens das cavernas. A partir do momento que você é capaz de amar, você pode mudar o mundo…Talvez seja por isso que ser mãe é tão grandioso, é em si uma oportunidade para mudar o mundo. Por isso que é tão profundo, intenso e difícil, é uma grande responsabilidade, é uma abertura sem limites, quando alguém se permite entregar.

Por isso as mães são superpoderosas, são importantes, deveriam se louvadas, por carregarem no seu estado a semente da transformação. Elas têm o poder de mudar o mundo, de ensinar o amor, de mostrar o que é presença, respeito e autoconfiança. Quem serão os habitantes da terra de amanhã? No fundo está nas mãos delas decidir. E o amor vem de todas as formas, em todas as línguas e de várias maneiras, por isso que cada uma tem o seu manual, e o seu jeito certo.

E para umas o amor é estar presente, é não delegar o cuidado, é amamentar em livre demanda, é fazer cama compartilhada. E para outras é desmamar, dormir em quartos separados e ter uma babá para poder sair de noite e se embebedar com os amigos. E não julgues que serás julgada…cada uma sabe a sua maneira e deve ser idolatrada por isso. Eu quero falar das mães que não delegam cuidados, que amamentam em livre demanda e que só saem para lugares com os bebês, porque por enquanto eu sou uma delas. E como todas as mães, eu deveria se idolatrada, respeitada e tudo mais, só pelo fato de ser mãe. Mas no dia a dia não é isso que acontece.

Me increvi em um grupo de mães. Queria conversar e me transformar através desse encontro, afinal, ser mãe pode ser solitário sim. De cara eu já pensei, ótimo, isso é para mim e com certeza vou poder levar o meu filho. Niguém vai me julgar porque sou mãe quase em tempo integral, todos vão me ajudar e vou encontrar muitas outras como eu. Vão entender que meu filho precisa se movimentar, precisa de espaço. A primeira coisa que devem ter pensado é espaço, correto? Porque criança precisa de espaço…mas não foi bem assim. Está um estresse enorme levar o meu filho porque ele não consegue se movimentar, outras mães já disseram que talvez seja uma oportunidade para eu conseguir delegar os cuidados do meu filho. Mas e se eu não quero agora?

Se é assim em um grupo para mães, como são os outros lugares? Um constante espaço de adivinhação. Temos um jantar que começa às 21 e vamos levar o filho: devo perguntar se é para levar? Mas se eles disserem que não, não vamos poder ir e daí eles não vão mais convidar. Ou será que é óbvio que pode levar? Ou talvez os outros convidados vão se incomodar? Eu tendo a não falar nada além de informar que vou levar. Mas tenho plena consciência de que isso é um grande risco social. Podem ter muitas pessoas por aí que acham que eu pirei porque faço do jeito que eu faço, mas eu também posso estar paranóica e eles terem inveja da minha coragem em seguir assim. Enfim, constante adivinhação.

Lá na praia eu disse que deixamos ele dormir no horário da casa, alguém disse: mas e daí como vocês vão fazer para sair de noite? Sei lá eu. No momento a gente não quer sair sem ele, talvez amanhã ele durma na cadeirinha e fique no quarto com a balada rolando. E talvez amanhã nem tenha mais mundo. Então não é melhor viver no presente? Fazer o que está bom para todo mundo, deixar fluir o amor e o vínculo? Eu respeito se você quiser que o seu filho durma cedo, se quiser sair de noite, se quiser ir no restaurante sem filhos. Mas todos deveiram me respeitar também, deveriam estar preparados sempre para receber mães com filhos.

Acho que os outros ainda deveriam perguntar se precisamos de alguma coisa específica para ele comer, se queremos um quarto escuro para ele dormir. Imagina só que mundo maravilhoso se as suas amigas de antigamente que não tês filhos fizessem um programa todo diferente, de dia, no parque, pensando em você? Ou te convidassem para o jantar com todos os outros sem filhos e pedissem por favor para você levar o filho porque estão com saudades. E se você pudesse ir em qualquer restaurante, museu, sem pensar se vai incomodar os outros, se vai ter trocador, ou um espaço seguro para o seu filho brincar enquanto você come?

Não deveriam existir leis que protegessem os dependentes, leis que encorajassem o amor? Leis que proibissem o preconceito contra mães, que gostam de ser mães do seu jeito? Que investem em um mundo melhor para todos da maneira como sabem fazer? Eu acho tão bom ser mãe que ultimamente quando alguém me diz que está feliz porque o bebê dormiu a noite toda, ou porque voltou a trabalhar, ou porque saiu de noite e viajou com os amigos sem os filhos, eu fico pensando se algumas vezes não é apenas um teatro por medo da rejeição.

Eu acho que algumas mães se forçam a ser indenpendentes por medo da rejeição, por medo de parecerem fracas e pouco sociáveis. Por medo de que os outros tenham preconceito contra o seu papel maravilhoso, que pode ser o único salvador da humanidade. Cá entre nós, está fácil perceber que não é através da intolerância, do medo e do preconceito que o mundo vai melhorar. Inclusive muitas pesquisas já mostram que a aceitação, o perdão e principalmente o vínculo com o outros, são os grandes caminhos de cura indivudual e coletiva. É através do vínculo com a mãe (um pai, ou qualquer cuidador), que o indivíduo irá aprender a disseminar isso para todos. Vamos proteger o vínculo das mães com os seus filhos, vamos fazer acontecer aquele tão sonhado mundo melhor. Amém, Namastê, Namaskar, Shalom.