Introdução alimentar: ser perfeita ou feliz?
Mãe suficientemente boa precisa errar para ser boa.

Estou assistindo um documentário no Netflix que chama: What the Health. Uma mãe de bebê nunca consegue ver algo inteiro sem parar no meio. Eles dizem que produtos de origem animal são os maiores causadores de Diabetes e Câncer. Dizem que as associações não divulgam essa informação, já que são patrocinadas pela própria indústria produtora de alimentos de origem animal. Socorro! Ou seja, você compra algo que te mata e a empresa que te mata faz a associação que te salvaria ajudar a te matar.
Sem falar que a indústria de carne prejudica o meio ambiente e muito, gasta água, polui a camada de ozônio e tudo mais. E comer peixe, além de fazer mal, faz muito mal porque os oceanos estão contaminados. E parece que a gente nem precisa de carne já que todas as proteínas vêm mesmo de plantas, não é rinoceronte? E tem outro jeito que carne pode te matar parece: o escritor Harari que conta “Uma breve História da Humanidade” virou vegano. Ele acha que se o homem mata os animais por julgá-los menos inteligentes, então a Inteligência Artificial vai matar os seres humanos, que são menos inteligentes que ela.
E os legumes e frutas? Os que não são orgânicos nos intoxicam e alguns dizem que não existe água limpa para produzir orgânicos saldáveis. A própria indústria de carne contamina a água que usamos para regar as nossas plantações. E também tem essa, é muito difícil acreditar em um selo de orgânico, pois a fiscalização só passa de vez em quando e é possível fazer uns truques para passar na vistoria. É o que dizem, não sei se é verdade. O que vamos comer então?
Eu comecei a refletir mais por conta da introdução alimentar do meu filho. Sou dessas que acredita em dar tudo que estamos comendo. Daí comecei a perceber que não sou tão saldável quanto eu imaginava e a refletir sobre o quão impossível é ser perfeita. E tive esse sonho de estar sem saída: eu não conseguia comer nada saudável e ainda tudo que eu fazia me aprisionava mais, como se não tivesse saída.
Você tenta comer bem, mas as suas outras ações de poluir pioram a qualidade dos alimentos. No seu trabalho você entra nessa de ajudar a indústria. Você compra um tênis mais barato para poder gastar mais em alimentos e esse também vem da vaca. Você quer ser mais saudável e usa óleo de palma, que para ser produzido devasta florestas e mata animais. Enfim, é muito difícil ser perfeita mesmo, quase impossível. Você só quer que o seu filho se sinta incluído e também coma bem, daí a maternidade te dá mais um tapa na cara, para variar te traz de volta para a realidade.
Mas tem um ponto interessante, já dizia Winnicott que a mãe suficientemente boa precisa errar para ser boa. Então ser perfeita não é tão bom afinal. E sempre que eu vejo o que eu faço para tentar melhorar o mundo e fazer o melhor pelo meu filho, eu vejo o quanto eu já percorri. E vejo que talvez a mídia torne o problema maior do que é para tentar fazer os outros mudarem. Daí procuro notícias boas como as de empresas que fazem carne no laboratório, o número de veganos aumentando, a ciência do bem trabalhando. Olho para o meu filho e vejo como ele está bem e se desenvolvendo, feliz, saudável. E penso que para mudar o mundo e criar um filho é preciso se cobrar menos e pensar positivo, porque a felicidade deve ser o caminho.
