“Design é Business” para a base da pirâmide

Participei de uma discussão em Universidade, onde o palestrante que também era designer afirmava corretamente que o Design deve ser apresentado como “business”, gerador de negócios desde as primeiras aulas, deixando de lado a otimização dos aspectos formais e funcionais como função única do Design. A partir desse ponto inicial, me estendo no artigo abaixo, com a minha perspectiva profissional sobre o assunto.

A Base e o Topo da Pirâmide e Design

O interessante é que essa ideia do Design é Negocio era dirigida à estudantes da base da pirâmide, de uma classe social menos privilegiada que não teriam os recursos para pagar um Mackenzie, Faap, IED, FGV. Conforme a discussão avançava, era mais claro, que esse estudante da base da pirâmide, representava muito mais o futuro do Brasil que o topo da pirâmide de uma classe mais elitista. Os alunos do topo da pirâmide já vem de um ambiente social e econômico forte, onde a ideia de negócios faz parte do café da manhã, com empresas familiares de grande porte e em um ambiente privilegiado financeiramente e com acesso a outros recursos e experiências que o aluno da base da pirâmide dificilmente terá.

Sendo assim, ficou claro, que o aluno da base que vai estudar design, tem mais prioridade e urgência em aprender e praticar o design como business, ou pelo menos, ter uma “mente de negócios” quando falar com futuro cliente.

E como fazer isso?

Praticando “Design é Negocio” na base da pirâmide

Além da aula na Universidade e as respectivas leituras no tema, a pratica do Design é Negocio deve ser “pratica” e isso pode acontecer de varias maneiras:

  1. Aproximando o aluno ao ambiente empreendedor, ainda que muitos já estejam nesse ambiente, é importante redirecionar o design nesse sentido de negócios como gerador de oportunidades e otimizador do que já existe.
  2. Aproximar o aluno à startups — conhecendo propostas mais concretas no mercado.
  3. Incentivar ou criar Empresas Juniores para projetos e assessorias para MPE
  4. Incentivar eles com o vírus de criar uma startup e participar de hackathons e convocatórias.

Negócios para todos com bom Design

A beleza do Design é a sua flexibilidade, ele pode ser apresentado desde varias perspectivas como do consumidor, manufatura, inovação e cliente-investidor. Importante para o aluno é saber e detectar a linguagem certa para o ambiente certo, em um ambiente de negócios a linguagem deve ser de negócios: ROI, mercado e não priorizando tanto os aspectos formais e funcionais, que devem estar presentes e devem ser esclarecidos também. O Design com seus elementos estéticos sempre corre o risco de ser apresentado de maneira abstrata a um potencial cliente, diminuindo as chances de fechar negocio, sendo assim esta lista abaixo do Sebrae com os benefícios do design nas empresas pode ser um bom orientador para a conversa com o cliente:

Aperfeiçoa e reduz custos de produção
Amplia o portfólio da empresa ao criar novos produtos
Aumenta a competitividade das empresas
Agrega valor às marcas de produtos e serviços
Oportunidades para conquistar consumidores
Empresa adota uma forma de pensar e encarar problemas focada na empatia, colaboração e experimentação (DESIGN THINKING)
Utilização de recicláveis e o respeito ao meio ambiente (DESIGN SUSTENTÁVEL)

Design para Todos com bom negocio

O aluno da base da pirâmide deve ser inovador, empreendedor e estudar design para gerar novas oportunidades para ele e para outros, e não para ser o designer da base servindo ao designer do topo da pirâmide. Essa perspectiva de um designer da base ser empreendedor é mais que necessária e urgente para a construção de um Brasil mais inclusivo com mais negócios e bom design para todos, já que o designer do topo do pirâmide apenas seguirá algo que é mais natural e mais “fácil” para ele.

E´preciso que as universidades de design e professores repensem o seu papel, e tenham uma atitude mais inovadora e empreendedora com os alunos. Um bom exercício para começar poderia ser uma pergunta:

“Quais problemas na sua comunidade, você acredita que o Design pode ajudar a resolver?”

Isso abriria a mente dos estudantes, que perceberiam o seu entorno como um “gerador de oportunidades” e não como um ambiente negativo e opressor.

O Design como ferramenta para a mudança

Na minha pratica profissional, sempre percebi o design como uma ferramenta para a mudança. Ele também traz valores intangíveis como qualidade de vida, dignidade, independência, conhecimento e consciência. Ele permite a “quebra de paradigmas” levando as pessoas a adoção de um estilo de vida mais saudável e em harmonia com o meio ambiente. Como exemplo, temos o design sustentável, que conscientiza a pessoa sobre o seu estilo de vida e meio ambiente, gera uma nova atitude e percepção e provoca uma mudança de comportamentos de consumo e hábitos.

Sempre lembre que valores intangíveis você está criando ou quer criar no seu projeto?

Design no século 21

O aluno também deve perceber que o Design hoje em dia está inserido em um contexto dinâmico e global, e o designer deve ser designer e sempre algo mais.

Um projeto bom de design é para o mundo e não apenas para o Estado de São Paulo ou o Brasil. Gosto da imagem abaixo que resume de maneira excelente o perfil do designer no século 21, o que ele dever ser e saber para ser um profissional mais completo e inovador:

Para finalizar, este artigo é para o estudante de design, mas ainda mais importante, é para os professores e instituições que independentemente do porte e da classe social que atendem, tem a obrigação de formar designers empreendedores. O Futuro do Brasil e dos BRICS é a base da pirâmide, eles são a maioria que irão moldar o futuro com novos produtos, serviços.

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Marcio Dupont é designer — consultor de inovação trabalhando e gerando oportunidades de negócios e inovação para os esquecidos (base da pirâmide, idosos, pessoas com deficiência)

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