A MENSTRUAÇÃO PÓS GESTAÇÃO E O RESGATE DA MULHER QUE TORNOU-SE MÃE

Hoje depois de quase dois anos meu útero começa a voltar à atividade e dele escorre sangue, ele que antes foi morada da minha amada filha que hoje tem 10 meses. Pra mim isso foi muito simbólico, senti uma ruptura acontecendo tão forte quanto o corte do cordão umbilical. Agora meu útero não era mais casa só da Padma e ele deixou isso bem claro, jogando pra fora o sangue que poderia ter sido um irmãozinho ou irmãzinha, neste momento senti como se fosse um despejo. “Vai, que agora você mora no mundo e não mais dentro da barriga da sua mãe.”

A sensação foi muito engraçada, pra você car@ leitor@ até desconexa

— Ueh mas o despejo não rolou lá atras? No dia do parto?

Sim, o despejo, o corte do cordão umbilical, o ar pra respirar, mas foi diferente, ainda estavamos ligadas fortemente por tudo, ela dependia de mim para sobreviver eu dependia dela para me tornar mãe. Porém hoje, sinto como se eu estivesse voltando pra casa, pro meu útero, para minha casa que antes, por 9 meses, foi só dela e desde que ela nasceu, também. Antes de menstruar eu me sentia meio suspensa, aérea, sem pés no chão, pouco encarnada.

O mundo era um lugar estranho de lidar, minha criatividade só funcionava para ela, comidas novas, roupas, coisas. Hoje, voltando pra casa, minha criatividade escorreu para este texto, um de muitos que quis escrever e que só hoje consegui, sou minha de novo, meu corpo e mente são meus novamente, ainda em função dela, mas meus. Vejo nisso uma oportunidade de resgate da mulher que tornou-se mãe. O papel de mãe, Deméter, é muito sedutor, ficamos ali a serviço daquele ser, heróicas jorrando leite, aquele ser depende de mim, só de mim, só do meu corpo. Sou forte

Hoje ela quase anda e agora ainda depende muito de mim, mas aos poucos vai ganhando o mundo e eu agora, com meu vaso vazio resgato o espaço para criar uma nova mulher, que morreu no parto e renasceu e agora além mãe, quer tornar-se além mulher.

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