Brincando e aprendendo

Nos dias de hoje muitos pais têm um tempo escasso para interagir com seus filhos, deixando muito do seu desenvolvimento à mercê da escola.

Entretanto quando for possível, é de louvar a nossa participação e presença na vida dos nosso filhos, em especial nos seus primeiros anos de vida antes da entrada na escola, ou seja dos 0–6 anos. Esta posição é defendida por muitos profissionais na área pois acreditam que os pais podem ajudar aos seus filhos a firmarem uma personalidade que se irá deparar com os desafios do mundo e sociedade quando estes entram para a primeira classe. Entretanto a melhor forma de conseguir ajudá-los a atingir tais capacidades é pela brincadeira pelo que este artigo pretende exemplificar alguns jogos e exercícios de acordo com cada idade

Vamos basear-nos aqui na teoria de Jean Piaget que divide o desenvolvimento cognitivo em 4 principais estágios. Contudo vamos focar as duas primeiras fases porque circundam as idades dos 0 aos 7 anos.

Dos 0 aos 2 anos
Uma criança nesta fase, vai desenvolver interesse em actividade sensório-motores, e tanto que se crê ser durante esta fase, possível detectar-se problemas do mesmo tipo. As crianças deveriam desenvolver os seus músculos globais, haverá maior controle motor em relação aos objectos que a rodeiam e também em relação à si mesma (aprender a andar, sentar). Estes aspectos para além de tornar a criança independente a nível motor, também a ajuda a ter uma melhor noção de si, do seu corpo, do seu espaço e da sua dominância lateral o que futuramente vai ter um impacto no desenvolvimento da leitura e escrita.

A criança vai aprender também mais sobre as texturas, cheiros, formas sobre os objetos à sua volta. Nesta fase podemos envolver brincadeiras com objectos que emitem sons, ex: chocalhos; livros de luzes, material de textura, plasticina de modelar, água (colorir também a água), lembrando que todo material deve ser comestível e a atenção deve ser sempre tomada para que os pequenos não levem objectos bastante pequenos à boca. Muitos pais apressam-se em comprar brinquedos não apropriados para essa fase, tanto que a criança não mostra interesse. Por vezes um par de panelas ou tigelas com tampas cria mais interesse na criança que uma boneca estagnada no seu quarto.

Os pais podem ensinar os seus filhos a nomearem as partes do seu corpo, a olhar para um lado quando ouvir tocar um som, a sentar, a levantar-se e a dançar.
Estas brincadeiras podem ser feitas por exemplo durante a hora do banho, à hora das estorinhas, etc.

Depois dos 2 anos
Nesta fase, a criança começa a entrar para o estágio pré-operatório que acontece durante o pré-escolar e traz à tona a era da fantasia, animismo, confusão entre a realidade e a aparência, o egocentrismo. A criança vive muito num mundo interno onde tem dificuldade de perceber um pensamento externo ao seu, processos que implicam mudança. Isto tudo requer muito treino, porque ao mesmo tempo ela vai transitar pela fase da causa-efeito dos factos. O aprendizado sensório-motor vai evoluir para a simbologia das imagens e objectos, aprendem a nomear as cores, formas, números e outros objectos.
Nesta fase uma condição bastante importante é o desenvolvimento da independência. Uma criança independente é uma criança que irá ter, eventualmente mais auto-estima e consequentemente mais motivação para executar tarefas pedidas ou ser activamente presente nos jogos e brincadeiras. Por isso, a partir dos 2 anos para frente muitos pais já pretendem tirar as fraldas e a criança começa a falar. O incentivo à fala deve ser persistente. O uso de canções, rimas, contos e estórias ajuda muito neste processo, sendo que claro, cada caso é um caso.

Nesta fase a criança explora muito o seu raciocínio criativo, pelo que as brincadeiras do faz-de-conta permitem que ela construa um mundo onde a mesma possa criar seus sistemas de como se deve agir, ser e sentir tendo como base tudo que ela aprende, vendo e presenciando dos pais e outros à sua volta ( aprendizagem por imitação e observação).

Dos 3 em diante a criança começa a desenvolver a sua motricidade fina. Nalguns caso acontece mais cedo, na verdade pode ser por pré-disposição (cada ser humano tem suas áreas fortes e fracas) ou por estimulação. Nesta fase o uso dos blocos, legos, plasticina ajudam a moldar e endurecer os músculos das mãos para um futuro uso do lápis, da tesoura e para o início à escrita.

Além dos brinquedos que compramos para os nossos filhos, podemos também convidá-los a ajudarem-nos nalgumas actividades como preparar o jantar, fazer a cama, levantar e arrumar os brinquedos, o que vai criar de certa forma o senso de responsabilidade na criança.

Quando mais estimulada for a sua criança mais desafios ela terá e melhor irá aprender como lidar com eles. Quanto maior for o nosso impacto durante estes cruciais anos mais chances temos de estabelecer uma relação forte e duradoura com os nossos filhos.

Edna Phulchand, educadora de infância e psicóloga.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.