Super mãe

Toda gente tem um saco de lixo interior, para onde é jogado todo o tipo de comentário desagradável ou indiferente que recebe ao longo do dia. Muitos deles são das pessoas com quem cruzamos na rua, ou daqueles “seres desagradáveis” que Deus insiste em deixar na nossa convivência (falo de colegas, algumas “amigas”, parentes… Enfim, há sempre alguém).

No caso das mães, esse saco é maior. Porque sinceramente é incrível a quantidade (e às vezes o tamanho) das baboseiras que ouvimos por dia. Os “conselhos” sobre como educar melhor as crianças, as “correcções” em público dos nossos alegados erros na educação dos filhos… Os comentários sobre os nosso kilos a mais (ou a menos), das estrias, do cabelo, da roupa, do verniz (detalhe…verniz do pé! Really?!).

O dia normal de uma mãe muitas vezes começa depois de uma noite mal dormida com o bebé na cama, ter que acordar super cedo, trocar a fralda do bebé e voltar a adormecê-lo, preparar o pequeno almoço de outra criança, dar banho, vestir, dar de comer. Tomar um banho de 2 minutos, correr de volta para o quarto, pegar o bebé que nessa altura já acordou, dar de mamar. Daí correr para vestir, pentear-se, tomar um café a correr… (Ops, chá para não passar cafeína para o bebé). Dar instruções do almoço a correr a empregada que chega sempre no último minuto e sair a correr com o filho mais velho que está a fazer birra para não ir à escola…
Pegar no carro, aproveitar cada semáforo para passar o batom a caminho da escola, chegar lá deixar a criança e na saída a correr de volta para não atrasar ao serviço dar de caras com uma ou duas mães estratégicamente paradas perto do carro com o olhar da serpente do paraíso:
- Oi querida!
- Oi — sempre caimos nessa de “querida”...Grrrrrr
- Tudo bem?
- Sim, graças a Deus.
- Eix… Estás a amarrar a barriga? Tens que ter cuidado, um dia os homens nos fogem… — Really?!!!Precisava mesmo? É de perder forças. E mal te recuperas do estrago daquele comentário e vem outra descarga…
- Devias tratar melhor do teu cabelo, conheço um sítio bom. Posso te dar o contacto.
- Com licença… VÃO SE CATAR! — É o que realmente deveria sair da boca. Mas nesse momento cai uma luz brilhante sobre nós e o máximo que conseguimos fazer é sorrir e nos despedirmos delicadamente.
Veneno da própria espécie é o pior de todos. Ser mãe é tomar super-poderes logo ao acordar. Não me lembro nunca de ter tido essa paciência antes de ter filhos.

Vanda.

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