A dor e culpa de ser mãe
Cada mamãe tem sua história. Cada uma passa por uma experiência cheia de particularidades com alguns pontos em comum, principalmente a dor e a culpa. O maior aprendizado que tive gerindo um filho é o entendimento da individualidade de cada ser humano. Cada um sente suas dores de forma única. Cada um tem sua própria bagagem cultural e entende o mundo a sua forma! “Cada um no seu quadrado”, mas fazendo parte de um quadrado maior.
Eu não planejei meu filho. Mas que poder eu tenho sobre isso? Acredito que há forças bem maiores energizando o universo e que nossos desejos profundos podem enviar uma mensagem a essas energias. Sendo assim, eu não planejei conscientemente meu filho, mas desejei no meu interior.
Quando descobri que estava grávida, honestamente não sei o que senti. Medo? Amor? Alívio? Desespero? Não sei dizer; parece até que nem senti nada de tanta coisa que senti! Era um momento muito conturbado, havia problemas mal resolvidos em quase todas as áreas da minha vida. E fiquei na dúvida do que sentir no meio desse turbilhão de emoções.
Só consegui dar certeza para mim mesma de que havia um bebê dentro de mim quando ouvi o coraçãozinho dele pela primeira vez. Foi indescritível. Não entendi nada, é como se nada do que eu tivesse aprendido da vida tivesse valor, como se eu tivesse zerado a vida (como num vídeo game) e tivesse começado dali, tudo desde o príncipio. Ao sair do laboratório eu ouvi: “Nosso amor não cabia em 2 corações e precisou de mais um para continuar crescendo”. Talvez seja a única e a maior declaração de amor que já recebi em minha vida.
Desde o segundo mês gestacional eu passei MUITO mal e tive todos ‘piripaques’ que uma grávida pode ter. Fui ao pronto socorro 11 vezes em um mês e meio, até que fui internada. É como se meu corpo não se adaptasse, mas estava tudo saudável com o bebê.
Foi uma longa jornada mental e física, desbravando o meu próprio ser. Foram tantas dores desde a concepção até o nascimento. Depois que nasceu sentimos as dores do filho, choramos com ele e por ele. Sentimos todo tipo de culpa: por falar alto, por ficar irritada, por comer chocolate amamentando, por não conseguir amamentar, por não ter disposição suficiente para carregá-lo no colo o dia inteiro, por não sorrir 24h por dia pra ele, por ter esquecido de comprar algum item, e por aí vai uma lista sem fim… SEM FIM…
Conversando com as amigas mamães ou que estão a espera do nascimento do primeiro filho, comecei a perceber em como somos tão iguais sendo tão diferentes e como isso é belo de alguma forma que não consigo explicar, só sentir! É como se dor e culpa ganhassem um re-significado em sua vida, como eu disse, como se tivesse começado do zero. Ser mãe para mim é como desbravar mares todos os dias! A cada minuto pode vir uma novidade, a cada segundo você pode explodir de tanto amor! E esse amor se expressa em formatos estranhos de risos e cansaços, choros e abraços. Sinto algumas dores na alma, me culpo por senti-las! Mas aos poucos ando aprendendo e percebendo que há uma beleza oculta nessas dores, há um amor imensurável por detrás dessas culpas. Há o maior mistério da vida a ser desvendado: o ‘ser mãe’.
