A dor e culpa de ser mãe

Mãeternidade17
Jul 21, 2017 · 3 min read

Cada mamãe tem sua história. Cada uma passa por uma experiência cheia de particularidades com alguns pontos em comum, principalmente a dor e a culpa. O maior aprendizado que tive gerindo um filho é o entendimento da individualidade de cada ser humano. Cada um sente suas dores de forma única. Cada um tem sua própria bagagem cultural e entende o mundo a sua forma! “Cada um no seu quadrado”, mas fazendo parte de um quadrado maior.

Foto: Acervo Particular — proibida reprodução sem autorização prévia.

Eu não planejei meu filho. Mas que poder eu tenho sobre isso? Acredito que há forças bem maiores energizando o universo e que nossos desejos profundos podem enviar uma mensagem a essas energias. Sendo assim, eu não planejei conscientemente meu filho, mas desejei no meu interior.

Quando descobri que estava grávida, honestamente não sei o que senti. Medo? Amor? Alívio? Desespero? Não sei dizer; parece até que nem senti nada de tanta coisa que senti! Era um momento muito conturbado, havia problemas mal resolvidos em quase todas as áreas da minha vida. E fiquei na dúvida do que sentir no meio desse turbilhão de emoções.

Só consegui dar certeza para mim mesma de que havia um bebê dentro de mim quando ouvi o coraçãozinho dele pela primeira vez. Foi indescritível. Não entendi nada, é como se nada do que eu tivesse aprendido da vida tivesse valor, como se eu tivesse zerado a vida (como num vídeo game) e tivesse começado dali, tudo desde o príncipio. Ao sair do laboratório eu ouvi: “Nosso amor não cabia em 2 corações e precisou de mais um para continuar crescendo”. Talvez seja a única e a maior declaração de amor que já recebi em minha vida.

Desde o segundo mês gestacional eu passei MUITO mal e tive todos ‘piripaques’ que uma grávida pode ter. Fui ao pronto socorro 11 vezes em um mês e meio, até que fui internada. É como se meu corpo não se adaptasse, mas estava tudo saudável com o bebê.

Foi uma longa jornada mental e física, desbravando o meu próprio ser. Foram tantas dores desde a concepção até o nascimento. Depois que nasceu sentimos as dores do filho, choramos com ele e por ele. Sentimos todo tipo de culpa: por falar alto, por ficar irritada, por comer chocolate amamentando, por não conseguir amamentar, por não ter disposição suficiente para carregá-lo no colo o dia inteiro, por não sorrir 24h por dia pra ele, por ter esquecido de comprar algum item, e por aí vai uma lista sem fim… SEM FIM…

Conversando com as amigas mamães ou que estão a espera do nascimento do primeiro filho, comecei a perceber em como somos tão iguais sendo tão diferentes e como isso é belo de alguma forma que não consigo explicar, só sentir! É como se dor e culpa ganhassem um re-significado em sua vida, como eu disse, como se tivesse começado do zero. Ser mãe para mim é como desbravar mares todos os dias! A cada minuto pode vir uma novidade, a cada segundo você pode explodir de tanto amor! E esse amor se expressa em formatos estranhos de risos e cansaços, choros e abraços. Sinto algumas dores na alma, me culpo por senti-las! Mas aos poucos ando aprendendo e percebendo que há uma beleza oculta nessas dores, há um amor imensurável por detrás dessas culpas. Há o maior mistério da vida a ser desvendado: o ‘ser mãe’.

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Mãeternidade17

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