Amamentação: do sofrimento à plenitude

Não conseguia entender como alguém sorria na hora de amamentar, pois para mim era quase uma sessão de tortura — sem exagero. Me sentia a pior mãe do mundo no primeiro mês de amamentação, pois era horrível e ninguém me avisou que seria assim. Hoje, faz 3 meses que amamento e sou uma daquelas mulheres sorridentes e felizes com bebê no peito. Por isso, quero compartilhar essas fases: não se sintam mal, amamentar é um processo que requer paciência e tempo de experiência. Lembrando sempre que cada um é cada um, foi assim pra mim, pode ter sido bem diferente para você e será ainda mais diferente com uma outra mamãe.


Nos três primeiros dias desceu o colostro, aquele líquido bem ralinho e transparente. Até aí, OK. Eu pensava “Beleza, é fácil!” (Aham… Só que não!). Na terceira noite começou a transformação do colostro para o leite. Eu me sentia uma mutante dos X-men. De repente começou a sensação que meus seios estavam pegando fogo e que eu estava ardendo em febre, mas não tinha nada de errado, é um sintoma “normal”. Incomoda muito, dói bastante. Abraço apertado: esquece! Dói qualquer contato na região dos seios.

Foto: Acervo Particular — proibida reprodução sem autorização prévia.

O meu bebê sugava muito forte logo no terceiro dia. E em menos de 24h da descida do leite já estava toda machucada, com os bicos doendo muito, bem avermelhados. Era só o começo. Comecei a usar as conchas, pois os bicos doíam demais para ‘tocar’ algo, atrito direto com sutiã — mesmo com o absorvente para seios — nem pensar! Já no quinto dia, eu estava sangrando muito. Lembro que fiquei uns 15 dias em casa andando sem sutiã, sem nada… Precisava deixar os seios livres para “respirar”, pois estavam machucados demais. Os bicos começaram a sangrar de tantas fissuras. Lembro de tentar tirar leite com a maquininha elétrica achando que teria algum alívio, mas foi uma doce e breve ilusão! Dói tanto quanto o bebê sugando, só dura menos tempo. E numa dessas tiradas de leite saiu tanto sangue que a mamadeira estava com um líquido rosa, parecia aquele Nesquik. Lembram? (rsrsrs)

Eu conversava muito com minhas amigas perguntando se era assim mesmo, pois estava achando um absurdo tanto sofrimento. A maioria não lembrava de detalhes, diziam que sim: era difícil mesmo, mas que eram lembranças muito vagas, pois o que permaneceu foi a parte boa. E é exatamente onde eu queria chegar! O que a gente mais escuta durante a gestação e continuando escutando quando bebê nasce? “Vai passar”. De fato, passa mesmo. Sendo assim, aprendi a encarar as coisas como realmente são: FASES. Se você entender (e colocar na cabeça de uma vez por todas) que cada momento difícil — e também o fácil, são fases, tudo fica menos duro de encarar. Viva cada momento com intensidade, porque passa rápido demais.

PARA MIM, amamentação começou a ser prazerosa a partir de um mês e uma semana. Já não sei dizer se doía menos ou se eu que me acostumei com a dor. Mas uma coisa é fato: o amor pelo seu filho vai crescendo a cada dia, e isso vai tornando as dores algo secundário, você começa a aprender mais rápido com os perrengues, quer se doar mais e mais. E com um mês e meio comecei a trocar muita experiência com amigas que também são recém mamães. Fui entendendo que todas nós temos muitas dificuldades que não são ditas nem divulgadas, pois a sociedade “impõe” que a maternidade seja algo ‘natural’ e prazeroso. E não é.

Tem gente que nem cria calo no peito, nem sente dor. Tem gente que produz leite demais e isso acarreta sérios problemas de saúde (inflama tudo, precisa fazer cirurgia emergencial). Tem gente que nem produz leite. Tem gente que amamenta com bico de silicone, outras não precisam. Tem bebê que não vai conseguir nunca fazer a “pega” correta e a mamãe tira leite todos os dias via maquininha e amamenta com leite materno via mamadeira. Tem infinitos e variados casos: cada um é cada um, por que com as mamães seria diferente? Então, quem foi que criou o “padrão” sobre ser mãe? Sobre amamentar? Refleti muito sobre tudo isso enquanto passava meus perrengues pós saída da maternidade.

Foto: Acervo Particular — proibida reprodução sem autorização prévia.

Amamentar é um processo que, geralmente, começa com muita dor e dificuldade (mas MUITA mesmo rsrs). Aos poucos, vai se transformando nas melhores horas do dia. No começo, você vira os olhos pra cima ao ouvir o chorinho de fome, pois está cansada e exausta e ainda precisa se doar mais e mais através das mamas. De repente, a tortura vai se transformando… E você começa a sentir um amor imenso que faz cada dorzinha e sacrifício diminuir e valer a pena! Entendem? Quando o bebê nasce, nasce uma mãe. Mas ambos não nascem sabendo! Ambos vão crescer dia após dia, juntos. Pára de alimentar essa pressão doentia da sociedade que padroniza tudo erroneamente. Entenda: é só você e seu bebê que sabem o que estão sentindo, é o SEU momento e só você vai descobrir a melhor forma de viver isso! Não acredite na ditadura do certo e errado. Confie em você e se deixe levar por essa plenitude de se doar e amar. Apenas amar.

Respira fundo. O sofrimento vai passar e a plenitude vai chegar!

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