doente

Matheus Fernandes
Jul 30, 2017 · 1 min read

Pareço um doente desgraçado.
Talvez eu seja.

Pelo menos é o que me disseram
(ou o que eu disse para mim)

Estou tomado por uma série de dores no coração
Causada por algo que nunca aconteceu
A certeza que o futuro do pretérito me proporciona
Me deixa em coma
Respirando pelos aparelhos do pensamento
E do remorso do jamais-ocorrido

Tentam me medicar
Com um pouco de realidade
Dissolvido no presente do indicativo
Mas não é suficiente para diminuir
O ritmo frenético de meu arrependimento
De algo que poderia ter acontecido

Manifesta-se em mim
O sintoma do “e se…”
E se considerassem tolice
Eu poderia até morrer
De tanto conjugar o verbo ser
No pretérito do subjuntivo

Chegam a conclusão que tive uma overdose de pensamento
E me receitam dois comprimidos para te esquecer
E mais um caso eu considere
Pensar no passado de um futuro inexistente

Mas a doença é crônica
E disso não posso me curar
Pois estarei sempre a pensar
E enquanto eu viver, a cogitar
O que eu poderia ter feito antes
Para agora estar curado

Matheus Fernandes

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as palavras são inertes. ninguém entende ninguém.

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