Como fazer as pazes para acabar com tudo de novo

No último mês a vida se desconstruiu ou ela já estava em fascículos e eu não tinha notado?

Cada dia parece que me enterro um pouco mais nos tormentos da reconciliação. Dói, continua doendo, no matter what. É claro que eu queria estar contente por tentarmos voltar à nossa normalidade. Queria mesmo. O problema é que meu coração não respeita meus pensamentos. Ele ainda sangra e quer que você sangre também. Quer que todo mundo em todo o mundo sangre, deixe de estar feliz e chore por nós. Está faltando lágrima aqui e até essa constatação, de que não choramos o suficiente, me dá raiva.

Tudo agora me dá raiva. Continuar ou abandonar? Raiva. Te amo ou odeio? Raiva. Trabalho? Raiva. Novos projetos? Raiva. Amigos? Raiva. Colegas? Raiva. Minha solidão? Raiva. Esse desamparo que não me larga? Raiva. Amores vividos? Amores perdidos? Muita raiva. Oxigênio? Ódio. Ódio. Ódio.

Mas o que me corrói mesmo é não poder voltar lá atrás. Voltar só para observar e morrer de inveja daquela paz. A realidade agora é comer uma bolacha por vez, viver cada dia devagarzinho, fazer o mínimo. Não é filosofia zen. É falta de energia mesmo. Não consigo, não tenho forças para construir nada. Só raiva para destruir o pouco que ficou.