Separação dia 11

Que palavra nos define agora?

Mácula. Não sai da cabeça. Nas horas mortas do dia, um neon brilha incontestável diante dos meus olhos: mácula. Meu peito doeu de desgosto quando constatei que era isso mesmo — nossa relação agora é igual às outras. A todas as outras. Igual nas neuroses, nas falhas, na mediocridade.

Agora me sinto ridícula na soberba de pensar que com a gente era diferente. Não sei se era realmente, mas agora definitivamente não é. Somos pateticamente iguais aos amantes que tatuam ideogramas complementares nos pulsos: Amor + Eterno. Não é triste?

No fatídico dia, horas antes do fim, cheguei a comentar, com alívio, sobre a sorte que tínhamos. Na nossa vida, até aquele instante, sobrava amor verdadeiro. Agora me choca a fragilidade das coisas nossas, do que era e do que está feito pedaços.

Essa idealização das qualidades do amor, apesar de infantil, me orgulhava. Chegou a ser inclusive uma forma de diferenciação social. Olha só essa que é tão feliz, e outras adoráveis bobagens.

Pois não mais. Agora somos iguais a todos os casais rompidos do mundo. Aos pouco ou imensamente tristes. Da nossa cultura e de outras. De antes e de depois de nós. Dos que nem sabem, mas que em breve serão rompidos. Iguais também aos que não se amam mais, aos que se machucam e se arrancam orelhas a dentadas. E aos que se amam tanto e demais e muito, ao ponto da inviabilidade.