Thank you, SK

Diferente do brasileiro comum, eu não gosto de futebol. Nem de jogar nem de assistir. Eu até entendo quem curte, mas simplesmente não vejo graça. Então enquanto eu crescia, nunca acompanhei ou pratiquei muitos esportes. Claro que existe uma infinidade de esportes, mas quando você é uma criança brasileira, tudo que seus amigos querem jogar é futebol. E se você não gosta, paciência.

Não gostando tanto de esportes, eu não aprendi as famosas “lições de vida” que o esporte proporciona. Trabalho em equipe, determinação, paciência, entre tantas qualidades úteis para qualquer aspecto da vida de uma pessoa. Até adquiri algumas delas, mas não pelo esporte.

Eis que, já crescido, começo a acompanhar a cena de e-sports. Tinha recém começado a jogar CS:GO e vi que uma tal equipe brasileira era a melhor do mundo naquele momento, a SK. O primeiro major que assisti foi a ESL Cologne. Eu mal sabia muito bem o que tava rolando, mas tava vibrando a cada partida e ao final, orgulhoso dos meus conterrâneos pela vitória.

Depois desse major fantástico, comecei a acompanhar a SK sempre. Vi todas as partidas de campeonatos, a saga “Do Prata ao Global” do Verdadeiro (ou Surfista Prateado, pros íntimos), as streams dele e outros jogadores, o drama com a saída do FNX… Vibrei com vitórias e fiquei chateado com as derrotas. E assim aos 21 eu comecei a curtir um e-sport tanto quanto as pessoas costumam curtir um esporte convencional.

Nesses meses acompanhando a SK, o que mais me causava admiração era a atitude dos jogadores. Todos extremamente humildes, sempre querendo ajudar e oferecer aos outros as oportunidades que eles mesmos não tiveram. A melhor equipe mundial, não olhando só pro próprio umbigo, mas querendo trazer pra cima tanta gente quanto possível.

Hoje, no Major da ELEAGUE, a SK jogou contra a Astralis. Num jogo digno de SK, eles fizeram 14–8. “A partida tá ganha” — foi o que eu e muitos outros pensaram. Mas a Astralis, no dia de hoje, é a #1 no ranking da HLTV, e eles não deixaram barato. Numa virada surpreendente, a Astralis fez 15–14. Assistindo a tudo isso, o coração disparava. Em vários rounds a SK chegava perto de ganhar seu 15º, mas aí a Astralis mostrava porque tem o posto atual de melhor equipe do mundo e continuava sua virada.

Finalmente, no 30º round, a SK empata. Overtime. Caralho. Ainda tem chance.

No OT, um começo ruim, com Astralis fazendo 17–15. No 3º round do primeiro half, com armas longe de ideais, um ponto da SK. Alívio. 17–16. Tem chance. E por fim, no segundo half a SK emplaca 19–17. Vitória!

Feliz pra caramba com essa vitória apertada do meu time preferido, vem a entrevista do Fallen, considerado não só o melhor AWPer do mundo, mas também como o melhor in-game leader. E ele fala que um dos segredos dessas viradas da SK é deixar os rounds perdidos pra trás e focar no jogo que tem pela frente. Durante o jogo, é hora de focar e manter a calma, só depois dele é hora de pensar nos erros cometidos e tentar corrigi-los. Ou seja, foca no caminho a sua frente, e não no que tá pra trás.

Se isso não é extremamente inspirador, e uma lição pra vida toda, eu não sei o que é. Tá aí o cara que foi contra tudo e contra todos, que provou ao mundo que o Brasil tem a sua relevância no cenário de CS:GO, o quanto é importante estar determinado naquilo que se sonha e mostrar que é possível sim. Seu lema, afinal, é “confia no verdadeiro”. Confia. Confia que dá certo sim.

E a SK mostrou hoje, mais uma vez, que mesmo quando a situação não tá favorável, é possível. Que vale a pena se dedicar àquilo que se sonha e que desistir nunca é uma opção. Valeu SK, por tamanha inspiração. Vocês podem até não ganhar esse major. Mas com certeza ganharam a mais profunda admiração de muitos fãs como eu.

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