Nostalgia musical

Vivo com a música. É ela que impulsiona meu humor logo cedo, quem me faz levantar, andar, trabalhar e inclusive dormir. A música é parte essencial do meu dia a dia, sem ela eu fico perdida, abobada, distraída e desastrada. Mas esta semana eu descobri algo novo, descobri que a música também me serve como recordação, da mesma maneira que ver uma foto traz um momento de volta.

Ano passado eu fui para a Bahia com meus avós, tia e irmão; eu havia pago pela primeira vez a mensalidade Premium do Spotify e aproveitei para baixar todas as músicas que gostava e também para conhecer novos cantores. Foi assim que conheci Silva, que tem 28 anos, é de Vitória-ES e é cantor dos gêneros: pop, indie e MPB. Baixei no aplicativo todos os CDs dele que tinham lá (2012-ep, Claridão, Júpiter e Vista pro mar), não lembro se me apaixonei por alguma música em especial, só sei que algo me dizia que valeria a pena.

Passei todos os dias na Bahia escutando ele, mesmo que meu irmão berrasse pra eu trocar um pouco de gênero. Não adiantava, meus ouvidos pediam por Silva, eu só conseguia ouvir ele cantar. Até coloquei Tiago Iorc, para fazer meu irmão parar de reclamar algumas vezes, mas não era a mesma coisa.

Voltei para São Paulo, os meses passaram, conheci outros cantores, troquei de celular, e esta semana estava vendo os cantores salvos no aplicativo e lá estava ele. Silva. Coloquei para lembrar como era. Foi quando aconteceu:

Eu e meu fone, eu de olhos fechados, me teletransportei, de Serra Negra direto para o avião decolando. Senti o cheiro da praia. Lembrei de cada momento lá: água de coco, pé na areia, eu sentada na beira da piscina lendo, as conversas com minha tia, os cafés da manhã, TUDO. Fui bombardeada com lembranças. Tudo por causa de um cantor.

Eu fiquei maravilhada, e depois que passou a nostalgia da viagem, eu comecei a pensar nos momentos que alguma música foi marcante. Sim, é mais comum do que eu pensava! Percebi que consigo lembrar com muito mais clareza os momentos que havia alguma música tocando, por exemplo:

Uma vez indo meu irmão, minha tia e eu indo para a praia. Tocava Blue moon (The Marcels), aquela música que tocava na novela O beijo do vampiro. Neste dia chovia horrores, eu estava no banco do acompanhante e criança como era não fazia ideia do que a letra significava. Acabei encenando dois caras brigando no trânsito. Demos risada a viagem inteira.

Lembro de um musical que fiz com amigas minhas, aqui em casa. E dançamos as músicas da novela Floribella para nossos pais. Foi uma superprodução! E uma vez com o pessoal da escola, montamos um musical sobre a dengue.

Ano passado, meus amigos e eu, num bar, cantando “Whats up” da 4 non blondes. O garçom chegou na nossa mesa e nós tivemos certeza que seríamos expulsos do bar. “Qual músicas vocês estão cantando?” ele perguntou, e quando dissemos qual era, ele colocou para tocar nos alto-falantes, para cantarmos junto!

E não precisa ser uma música ou cantor específico. Lembro muito da minha avó ouvindo músicas alemãs na cozinha. Ela podia estar cozinhando, lavando a louça, ou só conversando com alguém lá, mas a música estava sempre tocando. Como cozinha é o coração da casa, muitas vezes todos nos encontrávamos por lá, e por isso me lembro de ver todos dançando apertados tomando cuidado para não derrubar os imãs da geladeira.

A música está muito mais presente na minha vida quanto eu pensava. E agora que descobri o poder que ela tem de me fazer viajar no tempo, com muito mais força que uma fotografia, me apegarei mais ainda à elas.

E você? Enquanto lia este post, lembrou de qual música? Corra e vá escutar! Relembrar é viver.

MaHelbig
Do blog: Tertúlia Cult

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Marcela Helbig’s story.