Da importância do agir diante das circunstâncias

Esta reflexão começou em uma noite febril, de dor no corpo, noite insone pós-carnaval. É incrível poder apreender dos momentos lições para nos guiar e, geralmente, as lições mais importantes e significativas vêm dos momentos difíceis, têm sua origem no incômodo.

Nessa noite sinto a fragilidade do meu corpo. Diversos pensamentos negativos me ocorrem, porém nenhum deles me culpa sobre minhas atitudes: tenho uma certa tendência (que considero feia) de amenizar pro meu lado. Não considerei a muita friagem que tenho pego, e nem o álcool demasiado, ou o cigarro…não pensei na conclusão óbvia que pairava sobre o meu problema: na verdade, EU estou maltratando o meu corpo.

A conclusão óbvia a que cheguei traz consigo um questionamento que tenho me colocado: o quão recorrente é este tipo de escape que dou às minhas questões. Nunca é minha a culpa. São as condições que atuam me jogando para baixo, sem que eu tenha, necessariamente, o vigor de resistir. Nos meus delírios me pergunto “Será que fui muito ruim nas minhas vidas passadas e agora estou pagando pelos meus pecados?”. Me dou as razões para minhas queixas atuais, fecho os olhos e tento dormir novamente. Mas nesta noite nada flui bem. A febre quer me arrancar do meu lugar, do conforto das desculpas que dou a mim mesma o tempo todo. Vem para me ensinar.


#A febre vem para me instigar e me dizer por onde eu tenho errado

E o ensinamento é que por mais que minhas vidas passadas tenham sido comédias de erros, a minha atuação só se dá nessa vida e eu não posso esperar pelo Deus ex machina. É agora que eu tenho de agir. A dor que agora eu sinto é, afinal de contas, o resultado de uma rotina desregrada, reflexo apenas do meu emburrecimento existencial e da dificuldade em lidar com os problemas que são postos.

O primeiro passo é admitir. Que sou falha, que tenho me enganado e negligenciado o meu corpo e a minha espiritualidade. O caminho de resignação consiste na busca pelo equilíbrio nas paixões, aprender e crescer no próprio instante de atuação, sendo tudo que tenho por já, descobrir nas veredas a solução, a lição.

Para isso é preciso sentir, deixar que o espírito guie na instância do momento, que é enquanto posso agir na construção do que procuro. O ideal é, sobretudo, ter a humildade de reconhecer as falhas constantes, identificar seu modus operandi, utilizando elas mesmas como mecanismos para o autoconhecimento. É preciso se esquivar dessa preguiça melancólica e estéril, que ensina muito pouco, entregar-se ao desconhecido, contemplar a experiência que se coloca, seja ela qual for.