Sentimedo

Você chegou de mansinho, assim, como quem não quer nada. Era a favor de viver o momento, sem criar expectativas e sem fazer promessas já furadas.
 Não pesava, não sufocava, mas sua presença era percebida e apreciada. Sem pressa meu apreço foi crescendo. Passei a notar em mim notas de você.
 Percebi que ansiava pela sua presença nas noites de quarta. Vi-me torcendo para que sua nuca fosse a minha primeira visão nas preguiçosas manhãs de domingo.
 Senti um calor no peito, e foi me dando um medo. Por medo, não deixei o calor derreter meu coração de gelo. 
 Minha mente brilhante foi mais rápida, não fazia sentido o que eu sentia; decidi que uma atitude eu precisava tomar.
 Fugi de ti por medo de deixar de ser eu. Tenho muita coisa para fazer, não tenho tempo de gostar de volta.
 Deixei você ali, sem entender nada, meio que abandonada. Não queria ver o estrago, achei que correr para mais longe fosse me manter afastado. Engano meu, de fato. 
 Tudo isso para passar dois verões perdido, revezando entre ações para te ter de volta e ações para fazer você me odiar.
 Não posso ficar com você e não quero te deixar ser de quem você quiser.
 No fundo, eu sei que deveria me tratar, mas acho que primeiro vou beber uma cerveja no bar e, quem sabe, mais uma vez, de madrugada te ligar.

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