Eu lembro

Eu lembro vagamente da primeira vez que fui a casa da minha tia, subi a escada correndo e pedi a benção pra ela.
Eu não sei bem se aquela foi a primeira vez, na verdade, mas é a primeira lembrança que eu tenho.

Eu lembro de brigar muito com o meu primo quando eu era moleque. Toda vez que a gente ouvia “vocês parecem gêmeos”, cada um virava pra um lado, mais emburrado que o outro.

Eu lembro de ir a pé, com a minha mãe, pra casa da minha tia (Cangaíba-Ponte Rasa) porque eu não tinha mais tênis pra ir pra escola.
Fomos, pegamos um tênis emprestado desse meu primo e voltamos pra escola.

Eu me lembro da minha jaqueta azul que ficava roxa de noite e eu achava ela irada. Fui com ela conhecer meu pai e, bem, eu não lembro de outro role que eu fiz com ela depois.

Por falar nele, me lembro da única vez que tivemos um convívio relativamente aceitável e como, depois de alguns dias, tudo voltou ao normal.

Lembro da última vez que vi ele, também.

Lembro da primeira vez que apresentei um amigo meu pra outro amigo e como isso deu bem errado.

Lembro da última vez que amigo meu me apresentou um amigo e como isso não deu certo, também. Aliás, quase 10 anos depois quando encontro o cara na condução ainda é cara feia pra lá e pra cá.

Lembro de como eu me fodia na escola só pra estar com meus broders, jogando saiô-maiô.

Eu lembro da primeira mina que eu gostei. Natalia, japonega/pretanesa, linda. Deve estar casada e com filhos hoje. Sei lá.

Eu lembro da primeira mina que eu beijei e de todas as historias amorosas que eu tive, posteriormente.

Também lembro do último platônico que tive e como eu demorei pra entender que a pessoa não queria nada comigo, no fim das contas.

Claro que eu lembro de todo mundo que eu não consegui corresponder da maneira certa e como isso, eventualmente, me causa bads™.

Lembro de quando a galera pesou na minha pra ficar com uma menina no primeiro ano e de como ela “voltou” no terceiro, mas dessa vez, meu amigo tava afim dela.

Lembro de quando a gente encheu o saco do meu camarada pra ele ir falar com uma mina, também. E lembro da decepção dele depois disso.

Lembro de quando eu briguei com meu mano Murilo na casa do meu parça Vinicius porque eles tavam teimando que eu tinha dito uma parada que eu realmente não achava que eu tinha dito, e como isso me distanciou dos moleques, uma vez que uns meses depois daquilo, eu vim morar na CT.

Lembro de como foi rever os moleques de novo e como foi estranho saber que eu conhecia, saber que eles cresceram e não saber quase nada da vida deles.

Lembro de quando eu aprendi tocar violão e ainda lembro da musica que tava sendo ensinada quando eu cheguei.

Lembro de quando eu comecei “dar aula”, como isso foi bom e como acabou rápido.

É engraçado os caminhos que as vidas tomam. As vezes bons, as vezes nem tanto. No fim das contas é bom estar aqui apreciando a passagem, as paisagens e o que a vida pode dar.

Lembrar as vezes é uma benção, as vezes é uma maldição, mas enquanto eu não esqueço, prefiro lembrar.

Aliás, eu preferia não esquecer.

Mas não da pra controlar.

Só viver!

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