Sobre celulares, guerreiros e glorias

5h é a hora que o despertador me acorda, como de costume.
Na minha rotina modifico pouca coisa.
É dia de role, não dá pra levar uma mochila entupida de coisas pro Hangar.

Ao invés da marmita, levo o cartão pra rangar no pico vizinho ao meu trampo, levo alguns remedinhos pro caso de dar ruim. Vai que, né?

Trenzão e metrozão naquele pique, mas eu consigo um cantinho pra me encostar e dar uma descansada.
Na Luz, aquela já rotineira, peregrinação de pinguim.
Na Consolação mais peregrinação de pinguim.
Na Brigadeiro é hora do corre pra chegar no trampo, que é literalmente DO LADO da saída da estação.

Dia estressante no trabalho acaba e lá vou eu LÁ-VOU-EU pro templo máximo do hardcore nacional: HANGAR 110
Mas como de costume, quando teu dia tá ruim ele sempre pode piorar.
Perdi dois metrôs: um por que saí do trampo atrasado, outro que veio lotado.

Fiz outro caminho e cheguei no Hangar quase 19h em ponto.
Estou lá pela segunda vez em menos de duas semanas.
Troquei ideia com um brother que tava vendendo uns discos da banda dele, comprei um disco e então entramos.

Trombei com a tecnologia assim que cheguei.
Fui comprar uma peita e a maquininha de débito não tava lá.
A maquininha chegou e não dava pra usar.
Quando deu pra usar, meu cartão não passou.

Nisso acompanhei os dois primeiros shows da barraquinha de merch, atrás da escada do camarote.

Dois showzaços!

Chegou a banda principal da noite, o Gloria, com promessa de musicas novas no setlist (musicas novas muito fodas por sinal ❤)

Foto: Luringa

Eu esperava um show catártico, bem como havia sido o show do Dead Fish semana passada, e no que dependeu da banda foi lindo, mas o público…

3 ou 4 stage dives a noite toda.

VAI CARAIO!

Todo mundo muito mais preocupado em filmar o show do que curti-lo.

Faziam 2 anos que eu não via o Gloria ao vivo, mas parece que já faz séculos.

Nesses dois anos o público mudou muito e eu não fazia ideia disso.

:(

Nesses dois anos a humanidade mudou muito, na real. WhatsApp bombou, dominou o cérebro das pessoas pior que qualquer droga que essas mesmas pessoas abominam.
E aí eu volto pro começo do texto.
A galera tá vivendo demais em sentido de uma telinha de celular, vendo o mundo por ela e tá esquecendo que eles também têm olhos pra ver em volta, ouvidos que servem pra ouvir muito além do que os fones tocam, cabeça pra pensar…
E aí rolam as peregrinações de pinguim das estações, as escadas rolante que todo mundo já esqueceu que são uma escada, no fim das contas. Só se lembram que ela é rolante e que “é uma escada que te leva”, esse é um ótimo argumento, que inclusive eu já usei em épocas que eu trampava mais que burro de carga. Mas o tempo passa, a gente cresce, muda e, se possível, tenta pensar mais no outro.
A peregrinação de pinguim não é problema, até porque a catraca já vai afunilar o caminho e gerar uma lentidão na galera. O que me fode MESMO é a galera não levantar mais a cabeça pra observar o mundo em volta. Às vezes nem quando você esbarra na pessoa ela olha pra você.

Voltando ao show, tinham dois fotógrafos no ambiente. Eu chapo em fotografia.

Um deles dava um corre, ia pra lá, ia pra cá, clicando o show inteiro.
O outro era um poste, posicionado atrás de mim. Não arredou o pé dali em momento nenhum, nem ele, nem o amigo dele que ficava filmando o show de um celular. Aliás, todo mundo em volta de mim tava filmando o show, praticamente.

Mas sei lá, também, né? Talvez a galera do stage dive de dois anos atrás nem cole mais nos roles ou eles cresceram e foram cantar no fundo da casa, deixando a linha de frente pra molecada do celular. É uma possiblidade.

Fora isso, todo mundo cantando e nessa parte os guerreiros mandam bem. Sempre mandaram. ❤

A parada é só largar a porra do celular, falo isso a vida toda. Quem me conhece sabe. Curte mais o teu role e menos o teu celular.

O mundo é maior que uma telinha de 5'’

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.