O saque das contas inativas do FGTS e a fábula do viajante rico

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Era uma vez uma cidadezinha, daquelas bem pequenas mesmo, com igreja e pracinha no centro, que há alguns anos não crescia. A maioria das pessoas ganhava pouco, tinha dívidas e se virava do jeito que dava para levar a vida.

Então um dia aportou por lá um viajante muito rico. Ele estava apenas de passagem, mas como a noite já se alongava e ele não chegaria em seu destino antes do dia seguinte mesmo, decidiu pernoitar por ali. Procurou então o único hotel e pediu um quarto.

O dono do hotel há tempos não recebia ninguém, mas era muito conversador e extremamente caprichoso nos cuidados e na higiene, de forma que impressionou o viajante com as suas histórias e as da pequena cidade, e também com as dependências de seu humilde hotel.

O viajante bondoso, vendo a situação em que o dono do hotel se encontrava e comovido pelas histórias que ouviu, resolveu pagar o dobro e mais um pouco pelo pernoite, indo dormir contente e satisfeito.

O hoteleiro há anos não via tanto dinheiro, de forma que naquela mesma hora correu até o dono da mercearia (com quem tinha muitas compras “penduradas”) e acertou todas as suas dívidas.

O dono da mercearia, com tantas vendas fiadas, também tinha algumas dívidas com o padeiro, que ultimamente já nem lhe vendia mais pão pela manhã por causa disso. Ele então correu até a casa do padeiro e pagou tudo o que devia (com água na boca por poder comprar um pão fresquinho novamente na manhã seguinte).

O padeiro, cuja esposa estava doente, também tinha suas pendências com o farmacêutico, que inclusive estava ameaçando-o de parar de entregar os remédios se este não acertasse suas dívidas. Correu então até a farmácia e pagou tudo o que devia.

E assim passou a noite na cidadezinha. Com morador depois de morador recebendo o que lhe era devido e pagando na sequência o que devia, até que, finalmente, o banqueiro também recebeu o pagamento dos empréstimos que havia concedido e decidiu aplicar o dinheiro em outra cidade para garantir a faculdade do filho.

Quando amanheceu o dia o viajante rico resolveu dar uma volta pela cidadezinha e se admirou, pois no rosto de cada morador havia um sorriso resplandecente, de alívio e felicidade.

Mesmo sem saber, o simples fato de ter trazido dinheiro novo para aquela cidade mudou completamente a vida daquelas pessoas em uma noite. E ele foi embora inebriado com aquela sensação de felicidade que brotava ao seu redor.

Fim.

É mais ou menos o que o governo brasileiro pretende fazer com o país liberando o saque das contas inativas do FGTS.

PS: Essa é também uma fábula que mostra que dinheiro não é um bem em si só, mas um recurso a ser movimentado. Na verdade, todos naquela cidade já tinham a solução: era só confiarem um pouco mais no futuro e nos outros e ter um pouco de altruísmo perdoando (ou somente aliviando o pagamento) o que lhe era devido, atingindo assim o mesmo resultado que o dinheiro novo do viajante.

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