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Penso, sem base científica, que por trás de toda felicidade inconstante há uma busca constante. Não necessariamente essa busca é de algo maior, concreto ou palpável, mas talvez uma constante voz nas nossas cabeças que nos manda procurar algo que nem ela sabe o que é.

Talvez essa seja a voz citada no incrível texto “Why We Are Never Truly Satisfied”, de Zat Rana, mas talvez seja mais que isso. Não que nosso narrador interno, aquele que guia nossas vidas não esteja presente, mas a vida é basicamente uma insatisfação constante com o presente, um medo do futuro, e uma mistura de saudade e arrependimento do passado.

“We create an imaginary friend in our mind to continue telling us the story about this and about that.” (Nós criamos um amigo imaginário na nossa mente que continuamente nos conta uma história sobre isso ou sobre aquilo.)

Seja pelo que consideramos tempo perdido, ou então pelo nosso desejo de não sermos quem somos, mesmo sendo admirados por terceiros por pequenas ou grandes atitudes, nossa mente o tempo todo nos taxa de alguma maneira.

Diversos vídeos, livros e textos pela internet, condenam a própria internet como sendo a culpada por nossa atual ansiedade. A comparação com o recorte de uma vida feliz (que já citei no texto sobre os gatos), ou então a necessidade de likes e comentários e, novamente, um reconhecimento através do número de seguidores, nos esgota além do que as tarefas cotidianas e nossos instintos atuais de sobrevivência já exigem de nós.

Alguns estudos, como os citados no livro Sapiens — Uma breve História da Humanidade de Yuval Harari, atribuem justamente nossa ansiedade atual com um instinto primitivo de sobrevivência.

A globalização e a fácil comunicação e acessos permitidos pela tecnologia trazem na palma da nossa mão aquilo que levávamos meses, ou anos para saber ou descobrir. Mochileiro há vinte ou trinta anos atrás, era raro. Em uma cidade pequena, como a que nasci, alguém que saiu pelo mundo (mesmo que tenha visitado dois países) sozinho, sem agência de viagem, já era visto como herói. E tal feito era visto como algo que “vou tentar fazer alguma vez na vida”, que “já passei da época de tentar”, ou “fica para a próxima encarnação”. Hoje, as possibilidades estão a poucos cliques. Ver essa pequena distância, talvez não tão pequena se levarmos em conta tempo, trabalho, dinheiro, compromissos, e não alcançar, nos faz diminuídos.

Há quem defenda sair de todas as redes sociais. Tal atitude hoje em dia talvez se compare com um isolamento total da sociedade. Não podemos prever quando esse turbilhão de depressão e ansiedade que atingem todos os povos vai passar. Nos resta tentar manter o controle. Se é que isso é possível.

*”Driver 8" — R.E.M. (1985)

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Jornalista, pai e tenta ser youtuber! Trabalhos: linktr.ee/vancine

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