Fogão de lenha
“O que eu vim procurar aqui distante
Eu sempre tive tudo e tudo está ai…”
Não é como na música, nem tudo está lá, e quando estou aqui quero lá, quando estou lá quero aqui.
Lá naquela cidade pequena, nem Estância parece mais ser, é sempre mais frio. Além dos três graus Celsius a menos (na média), os sorrisos dos poucos amigos já não é aquecido. A animação da casa já não é a mesma. Por vezes penso não voltar. Não há fogão de lenha.
Não tem rede na varanda, mas é como se o sofá da sala fosse uma enorme, balançando ao vento. E mesmo quando o vento entra meio torto pela janela, ainda é o vento que venta lá, que é mais gostoso que o de cá.
Quando bate a saudade, a esperança é que a lembrança seja dos momentos felizes. Que agora raros, busco encontrar na memória mesmo estando lá.
“Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”
Porque não há fogão de lenha, nem sabia a cantar, hoje, nem aqui nem lá, mas um dia tudo há de voltar.
