era um dia simples, um colapso qualquer
e aquela mulher desconhecida 
comia uma comida amarelada
com a mão direita
teve também aquele cavalo
que desmaiou a cidade 
com seu galope em zig-zag

mas era um dia simples
e o sol ainda soprava ameno
quando você falou sobre ontem
sobre estrelas
sobre vinhos e venenos
sobre estar morta a cada dia
sobre não sentir-se você 
no corpo que levanta toda manhã
e dentro da fumaça do cigarro
pensei em como aquele golpe pode ter
fodido a psicologia geral da nação
em como estes ternos e esse papo 
de homem da associação comercial
não combinam com os seus olhos
e na paixão de rimbaud como único levante possível

(…)
ouvimos
divino
e
maravilhoso
mas a porta bateu 
girando ao avesso, o avesso do dentro
e você, sorrindo engraçada & nervosa,
se transformou nas porcelanas do aparador antigo
rodando numa ciranda sem movimento
vejo ainda 
o doce de abóbora
o café e o queijo sobre a mesa
e naquela fruteira que o sol dormia
percebi que a sua voz
entrava pela minha boca
e imprimia em mim
desenhos de mapas com luzes