…e ser triste, pode?
Ainda bem que não preciso fingir pra quem chega em casa que sou feliz. Ainda bem, porque eu não saberia fazer isso.
Desde cedo, tive a impressão de que havia algo errado com isso aqui. Um vai-e-volta eterno de alegria e depressão. Uns dias bem, outros nem tanto. Sol e nuvens, chuva e frio (que no meu caso não significa a melhor das situações).
As obrigações me distraíram por um tempo: “quem sabe se eu for a melhor no que eu faço as coisas melhorem” “quem sabe se eu mantiver minha cabeça ocupada não vou me importar tanto”. O trabalho me acolheu e depois me deixou ir.
A verdade é que essa casa — que já teve vários endereços — é triste. Aqui a alegria escorre no ralo no banho, no medo da crítica, murcha no próximo pitaco não-bem-vindo, se esconde dos olhos sempre críticos. Os fantasmas rondam e perguntam, exigem, reclamam. Nunca nada satisfaz.
No raro silêncio, escrevo. Triste, mas só por enquanto.