Poeira

O choro não quer sair,
Insiste em comprimir-se,
Formar pedra na garganta.

Não se importa de arranhar,
Ferir, fazer sangrar.

A garganta trata de enrolar
O choro e a voz
Em um só nó
Tornando ainda mais difícil suportar.

Não se pode engolir,
O nó quer desatar.

Não deixo. Prendo
Amarro, espremo
Não desce, nem sobe
Permanece.

Se converte a pó
Ainda pior de engolir
Seco, áspero, cáustico.

Empurro. Tusso. Cuspo.
Expelo orgulho em pó.
Te atinjo!
Mas não me livro.

Parte da poeira
Entra nos meus olhos
Petrifica meu olhar
E pesa.