Sobre a indecisão

Um dia ouvi de alguém:

— Quando não souber muito bem o que fazer, não faça nada.

A indecisão não aparece de um dia para o outro. Ela se instala sorrateira como um parasita e se mostra exaustiva como uma doença crônica.

No momento em que ela invade a alma pra valer, um sentimento de urgência aparece. A indecisão não tolera mais cinco minutinhos. Ela quer que você escolha uma das opções aqui e agora.

Mas a vida não é fácil. São muitos convenções a se discutir, muitas satisfações para dar, muitas regras a seguir, muitas respostas possíveis para uma mesma pergunta. E nem sempre temos as ferramentas necessárias para respirar fundo e decidir se queremos a, b ou c.

E assim a indecisão é varrida para debaixo do tapete, assim como fazemos muitas vezes com as outras sujeiras da alma. Quando acabamos lutando contra o conformismo e decidimos faxinar a casa, a poeira sobe e as decisões a serem tomadas acabam pairando sob uma grande nuvem de incertezas.

E são essas incertezas que nos paralisam. Nos impedem de pular de cabeça.

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