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Por mais Histórias de amor e menos utopia

Desde o começo o cinema vem nos enganando com suas histórias de amor, que depois da primeira, segunda ou até mesmo terceira decepção amorosa, descobrimos não passar de utopia.

Desde criança, quando fui apresentada ao cinema, me apaixonei pela forma como as histórias eram contadas. Tiravam-se as piores partes e mostrava-se apenas o que valia a pena ser compartilhado com aquele público seleto na sala de cinema ou dos apaixonados que passavam horas escolhendo VHS´s empoeirados nas prateleiras das locadoras. Filmes esses que depois de assistidos, rebobinados e retornados ao seu lugar na prateleira, eram esquecidos, bem como suas histórias de amor.

Como nas embalagens de produtos industrializados, o cinema também deveria vir com um aviso de “conteúdo meramente ilustrativo”, porque assim como nos frustramos ao abrir um pacote de pizza de supermercado, nos decepcionamos ao ver que nossos casamentos, namoros (e porque não até mesmo rolos rápidos), não são exatamente como dizia na embalagem.

Não digo que não existam histórias de amor verdadeiras, porque elas existem, não fossem elas, nem mesmo o cinema existiria. Porque diferente do que todos dizem, sou da opinião de que a arte imita a vida.

A questão da qual esse texto se refere, é pensarmos no amor como um todo, sem elipses de tempo, sem enquadramentos bonitos e com iluminação boa, sem maquiagem, sem roupa combinando com o cenário e contrastando com a roupa do outro. Mas sim de um amor de 24 horas por dia, todos os dias da semana, de cabeça para baixo, no escuro, de cara lavada e barba mal feita, com roupa velha ou camiseta de time de futebol.

O amor não tem escaleta, não tem frase pronta, não tem roteiro. Isso pertence ao cinema, e cinema é utopia.

Maíra Cini.