As boas mulheres da China

Olha o título desse livro, Maíra. Não dá para você achar que vai sair de olhos secos dessa leitura, jovem. Tem certeza que você vai ler isso mesmo? Certeza… Certeza eu não tinha. Mas era o livro do clube do livro. E você votou nesse aí? Na verdade, não votei, mas qual o problema em lê-lo? A ideia não era aprender mais sobres mulheres, não foi isso que você decidiu esse ano? Alguém acha mesmo que é possível aprender sobre mulheres sem derrabar algumas lágrimas?
Depois desse diálogo interno aí, que abri o livro, já munida de lenços (mentira, não dá pra segurar lenço em pé no metrô) e disposta a chorar bastante que conheci Xinran, que tinha um programa de rádio ‘Palavras na Brisa Noturna’ na cidade de Nanquim, na China. Nesse programa Xinran levou para as chinesas a ideia de que elas teriam um cantinho confortável para desabafar e conversar. Obviamente, as mulheres conseguiram crer nesse cantinho e enviaram cartas. E foi a partir daí
que surgiu esse livro… (Claro que é uma pouco mais bonitinho do que isso, mas não vamos trazer spoiler, ne?)
Xinran começa a apresentar toda aquela cultura conservadora, onde mulheres não tem vez…não tem voz…não tem saída… E ao longo dos capítulos, segue nos contando as lembranças doloridas de casos que não tão incomuns assim em nossa cultura: abuso, humilhação, estupro, discriminação, abandono, submissão e descaso.
O livro assusta, machuca, incomoda, causa revolta… Mas essa visão de outras culturas nos fazem enxergar que mesmo aqui não estando lá aquelas coisas para mulheres, ainda estamos cheias de “privilégios” e também nos mostra que aquela coisa do Girl Power não veio lá das Spice Girls, ele sempre existiu. Mulheres vivem sendo fortes desde de sempre, nós que não paramos para escutar suas vozes.
