Sempre a beira

Ansiedade é a chegada sem o caminho, é o fim sem o preparo, é uma luta sem adversário.

Ansiedade é comer sem fome, dormir pouco quando na verdade o que se queria era a eternidade.

É chegar no topo da montanha e não saber apreciar a vista, é pensar no tombo antes mesmo da descida.

É ter medo de pensar demais e nunca mais voltar do lugar que ainda nem foi.

É chorar sem motivo e chorar por ainda estar chorando.

É ter medo do que tem no escuro estando com as luzes bem acesas, e mesmo assim ter medo de que elas se apaguem.

É medo da explosão sem ter acendido nem o fósforo.

É viver constantemente com medo de ouvir o que nem pensado foi, muito menos dito.

É ver problema aonde não tem e ter medo até de subitamente parar de respirar ou talvez de esquecer o próprio nome.

Eu não vivo fazendo o que gostaria, eu vivo com medo da saída. A ansiedade é estar sempre na beira, é ter medo de viver porque sabe que vai morrer.

E eu já disse algumas vezes,

mas eu não andaria na beira de um precipício,

a ansiedade faria eu me jogar, porque eu tenho medo de um dia simplesmente

cair.

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