De Abadessa a Feminista: O empobrecimento no olhar sobre a mulher

Regine Perneud, em seu livro “ O mito da idade média”, evidencia a importância da mulher na sociedade medieval:

“Nos tempos feudais a rainha coroada como o rei, geralmente em Reims ou por vezes, em outras catedrais. A coroação da Rainha era tão prestigiada quanto a do rei. A ultima rainha a ser coroada foi Maria de Medici, em 1610. Algumas Rainhas medievais desempenharam amplas funções, dominando a sua época; tais foram Leonor de Aquitânia ( representada na imagem a baixo) ou Branca Castela, no caso da ausência, da doença ou morte do rei, exerciam poder incontestado, tendo por sua chancelaria, as armas e o seu campo de atividade pessoal”.

Tanto homens quanto mulheres eram dados em casamento muito jovens por seus pais, e muitas vezes as meninas chegavam a conhecer seus futuros maridos apenas no dia do casamento.

A igreja lutou contra esses casamentos feitos “as escuras”: para o Papado, assim como para os bispos era fundamental que os cônjuges se conhecessem e concordassem com o casamento.

A família medieval possuía peculiaridades especialíssimas, configurando-se de forma muito diversa da família greco-romana, nas quais o pai, chamado “pater famílias” (o pai de família), detinha como que um poder supremo sobre a esposa e os filhos, como se fossem meros objetos cuja posse lhe cabia, podendo dispor até mesmo sobre suas vidas.

Muito mais natural e orgânica, a família medieval estava imbuída dos princípios ensinados pela Santa Igreja, de modo que a fé e a caridade eram tomadas como fontes sagradas de inspiração. As funções de guardião, protetor e mestre cabiam ao chefe de família. Auxiliado pela esposa, era substituído por ela em ocasiões de ausência, pois, para a sociedade medieval, a unidade familiar é maior que o indivíduo, estando o bem comum acima do bem individual. A partir desse raciocínio, a herança familiar é inalienável e estável. Sendo assim, o bem fundiário (a propriedade) deve ser herança da família e não de seus membros separadamente.”

Assim como influenciou a família na sua estrutura orgânica, na igreja podemos ver um grande papel de destaque na figura feminina.

“ Certas Abadessas, por exemplo, eram autenticas senhores feudais, cujas funções eram respeitadas como a dos outros senhores; administravam vastos territórios com aldeias, paroquias, algumas usavam o báculo como o bispo.” ( …) “ As monjas da época eram pessoas instruídas e cultas, dentro dos padrões do seu tempo ( Século XII) . A própria Abadessa Heloisa ensinava suas monjas Grego e Hebraico.”

Importante ressaltar que a mulher dentro da Igreja Católica sempre teve um papel muito importante: na bíblia encontramos Nossa Senhora e tantas outras santas, fundamentais para a construção do evangelho. Na história da igreja temos uma infinidade de santas mulheres, mostrando que a Santidade é um chamado, e que independe do sexo, deve ser alimentada pela mais profunda vivência da fé. Nessa época temos grandes santas como Santa Clara de Assis ou Santa Catarina de Siena, que exercem grande influencia no pensamento católico até hoje.

E por fim, a autora conclui:

“Mesmo as mulheres que não eram altas damas, nem abadessas nem monjas, mas camponesas ou profissionais de alguma arte da época, exerciam sua influência na vida publica”.

Regine Pernout, nos trás uma importante reflexão. Ao comparar a mulher medieval com a mulher moderna:

“Estes fatos têm significado em nossos dias, que movimentos feministas reivindicam direitos das mulheres na sociedade atual. Vemos que tencionam precisamente superar um obscurecimento da figura feminina que é pós medieval. A idade média, no caso, bem poderia servir de modelo à própria mulher contemporânea. Esta porém, no afã de assumir seu lugar junto ao homem, parece as vezes esquecer de sua própria identidade e originalidade; é o que observa muito a propósito Regine Perneud:

Tudo acontece como se a mulher, deslumbrada de satisfação de ter penetrado no mundo masculino, ficasse incapaz do esforço de imaginação suplementar que lhe seria preciso, para trazer a este mundo, a sua própria marca, aquela precisamente que falta a nossa sociedade. Basta-lhe imitar o homem, ser considerada capaz de exercer as mesmas profissões, de adotar os comportamentos, e até os hábitos, em relação ao vestuário de seu parceiro, sem mesmo pôr a si mesma a questão do que é em si contestável, e do que deveria ser contestado. É perguntar se ela não será movida pela admiração inconsciente, que se pode considerar excessiva, dum modo masculino que ela acredita necessário e que basta copiar com tanta exatidão quanto for possível, mesmo que seja a custa da perda da própria identidade e negando antecipadamente sua originalidade. (pg 103)”

Negar as diferenças entre homens e mulheres é não só anular diferenças orgânicas, dentre elas, podemos citar: a formação do cérebro de ambos é diferente, assim como a estrutura física: homens são fisicamente mais fortes que as mulheres, apresentam maiores destaques em alguns esportes, como em várias lutas.

Posto isto não podemos negar que a construção da personalidade de ambos é diferente. Meninas gostam de brincadeiras que os meninos não, a estrutura afetiva de cada um é construída de uma forma.Culturalmente, o imaginário feminino e masculino tem coisas únicas, e deve ser respeitado de maneira individual.

O principal problema do empoderamento feminino é que ele procura igualar homens e mulheres.

Para garantir esta ilusão a ONU em seu documento “Princípios do Empoderamento das Mulheres” diz:

“Empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável.”

Negar a identidade sexual de uma pessoa é negar um traço fundamental de sua personalidade. Tanto homens quanto mulheres possuem um importante papel na vida familiar e na vida social e por isso ao invés dessa diferença ser anulada, gerando seres amorfos,deve ser estimulada e valorizada.

A sexualidade é um traço individual de cada pessoa, e por isso deve ser construída no âmbito familiar. São os pais que devem orientar os filhos e não a escola. Uma pessoa que não conhece sua identidade sexual, acaba perdida na construção de sua personalidade. As orientações escolares mostram cada vez mais uma politica ditatorial que visa anular e massificar os cidadãos desde a tenra infância.

Enquanto a família participava da formação da pessoa e da sexualidade, a identidade da mulher fluía naturalmente, ela sabia seu lugar em casa e na sociedade. Mas quando a escola assumiu este lugar, a mulher se perdeu, e a sexualidade deixou de ser natural para ser imposta pelo governo.

A mulher portanto perdeu sua identidade e deixou de ser um indivíduo, tratada de maneira única e responsável e passou a ser um marionete nas mãos do globalismo moderno.