Algumas ideias levam tempo para assentar.

A vida é uma sucessão de pequenos e longos ciclos, figurados e literais, em proporções e dimensões variadas. A ideia de que, independente destas variáveis, todos os ciclos teriam seu fim é uma que demorou-se a assentar em mim.

É difícil deixar para trás aqueles ciclos; alguns mais difíceis que os outros, mas sempre desconfortável. Como encerrar o pequenino ciclo que é aquela conversa com um estranho? Um tchau, um muito obrigado, um abraço? Como aceitar que alguém se foi, como dizer adeus? O luto é o fim de um ciclo de vida. Como se dá as costas e se caminha na direção oposta de uma vida?

Cada ciclo que se encerra é uma pequena dor. Uma escara que se forma no local onde aqueles acontecimentos, aquelas pessoas e aqueles momentos passeavam num caminho infinito. Resta uma dor fantasma e o sentimento de que tinha algo ali que foi embora. Como é que foi embora? Onde em você se escondia a força que enfim deixou este algo ir?

A vida parece, afinal, feita de ciclos abertos. Feridas que ocupam o lugar onde aquilo esteve. Não fecham. Os ciclos não se fecham. Os circuitos não se encostam. Será que faz parte da normalidade não abrir mão de alguns ciclos? Ocuparão eles (para sempre) aquele espaço físico, espaço da memória, impossível de ser invadido, eternamente marcado e aberto?

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