Eu cuspiria três vezes

Desde que descobri a existência de Bolsonaro que salivo por essa cusparada

Quando comecei a simpatizar com o Psol, há algum tempo, parte do meu amor pelo partido surgiu por causa do Jean Wyllys. É claro que em alguns momentos dessa vida me frustrei muito com ele, principalmente em ocasiões que reproduziu preconceitos. Por vezes fiquei triste como se eu mesma tivesse errado e sinto que isso acontecerá muito ainda. Mas ontem Jean fez o que eu queria ter feito há muito tempo e foi exatamente quem eu esperava que fosse.

O cuspe em Bolsonaro.

Não (só) pelo voto contrário ao impedimento, mas pelo depois. Jean fez o que muitos de nós gostaríamos de ter feito e não pudemos.

Wyllys é o primeiro deputado federal eleito assumidamente homossexual e o peso da sua orientação sexual parece valer mais que qualquer qualificação ou desqualificação política.

Bem como as deputadas mulheres que são tratadas como pedaços de carne pelos olhares da imensa maioria da câmara (e de toda a política brasileira). Homens, cisgêneros, brancos, de classe média alta e heterossexuais, que tendem a não saber “controlar os seus instintos”, o que eu traduziria como: não saber lidar com a perda de privilégios.

A ameaça das mulheres da política. A ameaça das vozes de homossexuais sendo ouvidas é demais para pessoas como o Deputado Jair Bolsonaro.

a baixaria vem do outro lado.

Só não cede à provocação quem não é ser humano. Quando se levanta uma placa dizendo “queimar rosca todo dia”, no meio da votação mais importante dos últimos tempos, com dezenas de câmeras apontadas para as fuças, imagina-se o que não é dito fora deste circo.

Bolsonaro é um fascista sem vergonha. Não é uma pessoa sem conhecimento, desprovida de acesso, nada disso. É uma pessoa ruim que não contente em ser o escárnio em pessoa, carrega milhares de seguidores, de parceiros de nojinhos.

Uma cusparada na cara é o mínimo que uma pessoa que defende o porte de armas, incita estupros e vai contra todos os direitos básicos dos seres humanos merece.

Pediu a volta da ditadura, incitou o estupro de uma colega de parlamento, fez discurso em memória de um dos maiores torturadores que o Brasil já viu, exaltou apostura de uma das figuras mais (comprovadamente) corruptas da atualidade. Além dos tantos discursos sexistas, homofóbicos, machistas e racistas.

Não sei vocês, mas eu já contabilizei, com a santa lógica da meritocracia, o merecimento de mais de uma centena de cusparadas na cara.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.