Ressaca e Faxina
A cena é clássica: a pessoa chega bêbada em casa de madrugada, senta na frente do computador ou pega o celular — às vezes, ainda no táxi no caminho de casa — e desanda a escrever besteiras. São tuitadas, posts, testimonials, declarações, mensagens e uma infinidade de pagações de mico que só são possíveis dada a completa desnecessidade de dignidade própria que a bebida nos proporciona.
Acredito que beber e tuitar seja a versão pós-moderna do clássico “bebi demais e liguei pra ela(e)”. Os tuites da madrugada têm endereço certo. Já estavam lá guardados há tempos, só esperando um pouco de coragem para serem escritos. De “foda-se” à “eu te amo”, a internet em uma manhã de domingo deve estar repleta de desabafos alcoólicos perdidos. Gritos nos escuro da madrugada transpostos em 140 caracteres. Acordando cedo, diria até que é possível dar boas risadas com as confissões alheias.
Entretanto, à nós, vítimas dessa estranha mania de beber e desabafar, nos resta acordar o quão cedo a ressaca permitir e fazer uma faxina literária. Garimpar perfis em redes sociais, apagar as besteiras escritas na noite anterior e torcer para que ninguém tenha lido ainda. Depois disso, talvez até seja possível voltar a dormir, mas não sem antes tomar um ou dois comprimidos para dor de cabeça e repetir pela milionésima vez “eu nuca mais vou beber”.
