Devolva-me!

Eu não sinto a sua falta, eu sinto a minha.

Todas as vezes em que me pego lembrando do passado no qual você está impregnado não é de você que estou lembrando… É de mim. De quem eu era.

É com muita dor que eu me lembro de entregar meu coração em suas mãos, um coração sadio e sem qualquer imperfeição.

É com muito arrependimento que eu faço a retrospectiva do escurecer da minha alma e da escassez da minha alegria…

Como eu não pude notar que sorria bem menos e chorava muito mais?

Como eu não pude ver os 10 quilos a menos e olheiras a mais?

Eu não sabia o que era paz.

Eu não sabia o que era amor.

Não, eu não sabia mais!

E eu só soube da sua partida assim que gritei teu nome e você me deu as costas…

Eu chorei. Eu sangrei. Eu sofri.

Onde estava eu?

Eu morri.

Tudo o que sobrara era um corpo pálido, um espírito sombrio e um coração em cacos.

Você me roubou de mim.

Devolva-me!