Maitê Rosa Alegretti
Nov 3 · 2 min read

Se fosse pedido a mim uma forma de sumarizar 2019, provavelmente, falharia.
Primeiro porque pessoalmente demoro para formular pensamentos, segundo porque ao escrever sou prolixa - o que não vira verso, vira crônica, o que não vira crônica vira áudio d e whatsapp de 10 minutos -.
Mas, eis que vejo uma foto minha de abril e fiquei pensando o quanto mudei fisicamente também, na foto estava com os cabelos compridos, lisos e bem escuros. Depois de julho meu cabelo vestiu um tom cobre meio praiano - por erro de cabeleireirelogia - cacheados e longos.
Duas fotos, duas pessoas, concluí.
Eu sei leitor, isso não é interessante, você não quer saber sobre o meu aspecto físico, ao menos se você for um desses tantos homens que têm me enviado mensagens, presupondo ou inferindo vai saber o quê.
Você, leitor, você é melhor que isso.
Diria que a ementa desta crônica é justamente o universo caótico em que nossa vida se inscreveu.
Mês passado minha avó faleceu, terminei minha primeira compilação de poemas - que eu tenho orgulho de ter escrito - dei alguns passos bons em outras áreas.
Enquanto isso ainda veríamos o presidente urlar em uma live, litoral do nordeste banhado em desgraça ambiental, eu, repentinamente, em um show do Arnaldo Antunes, ouvindo uma música dizendo sobre não poder fugir do que se é.
2019 vivi no mínimo umas três vidas, e este ano sem vergonha ainda não acabou, perguntou-me se terei fôlego até dezembro.
Talvez 2019 seja projeto de mercúrio em suas andanças aladas malucas, você lembra se era ano de mercúrio?
Você não lembra das previsões de começo de ano? Eu também não.
Vejamos a lista de marcos:
10 anos em que estive no segundo ano do ensino médio;
Fez dois anos que me formei bacharela em Letras e minha família não entende se eu trabalho ou não;
4 anos desde que meu avô faleceu, perdi melhores piadas;
Quase um mês desde que fui num terreno de umbanda e Yara me deu um passe;
2 meses de 26 anos;
2 anos como professora de Italiano e quase seis meses de aulas por Skype;
Talvez a vigésima vez em que leio O livro das semelhanças da Ana Martins Marques.

(quase um ano de um governo irresponsável, genocida, inescrupuloso, nocivo desumano e desumano)

Entretanto,
foi a primeira vez em que fui ao Sesc Belém, fui a um show do Bexiga 70, pintei os cabelos, chorei mais de 3 vezes no transporte público, decretei falência financeira para no mês seguinte conseguir pagar as contas, primeira vez em que escrevi tanto, mas tanto, quase todos os dias, primeira vez em que passei mal em um cinema, tive foliculite, usei adesivo anticoncepcional, tive dores incomuns e ânsia de vômito por isso, primeiro jejum de mais de 10 horas, primeira vez em que vi Acossado, quase perdi o último trem, apelidei o presidente de paquiderme, escrevi uma parte do meu compilado de poesia para alguém sem a pessoa achar que eu queria propor casamento, primeira vez em uns três anos em que elaboro um presente de aniversário e a primeira em que o entrego antecipadamente

    Maitê Rosa Alegretti

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    Beletrista, italianista, professora, às vezes, finjo ser poeta, às vezes, cronista. neurose & sarcasmo (meus verdadeiros sobrenomes)

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