A nova onda da moda

foto: Pierre Best

Quando me apaixonei por moda, ela era puro glamour e criatividade, nos levava ao belo e à fantasia . As estrelas eram as supermodels e as roupas eram criações artísticas impossíveis de se usar. Quase um conto de fadas. As fadas loucas, que nos anos 90, vestiram os espartilhos de motocicleta de Thierry Mugler, as peças justas de Alaïa, o sutiã de ponta do Gaultier e outras invenções que estimulavam nossa imaginação e nosso desejos. A estrela maior era a irreverente Madonna que amava moda e a usava para vestir sua música e provocar.

Quando foi que essa magia se perdeu? Moda, arte, beleza e provocação sempre caminharam juntas, esse movimento não mudou. O que mudou foi a nossa relação com as roupas. Comprar muito, comprar barato, usar por um ano, por um mês e descartar. As grandes marcas de fast fashion apostaram em peças com valores cada vez mais baixos, mas qual é o preço real de um vestido de vinte dólares ou 50/60 reais? Se, por um lado, entendemos a importância em dar acesso e tornar a moda um espaço mais democrático, por outro, não questionamos um modelo que barateia o custo de produção, que produz em quantidades alarmantes e que apresenta um produto de baixa qualidade, descartável e de alto impacto negativo sobre o meio ambiente. Minhas primeiras peças incríveis foram herdadas da minha avó, será que minha roupa chegará ao meu filho?

Apesar disso, a moda ainda vive. Vive na cultura de rua, nas pessoas que ainda questionam nossos padrões, que buscam independência. São grupos que se veem marginalizados pelo mainstream e entendem que os grande nomes ainda perpetuam um modelo antigo, que muitos discursos não batem com ações reais. Moda vem da rua e da rebeldia, da autenticidade e dos guetos. Quem não tem o que vestir, busca o seu lugar ao sol, brilha e cria formas de se expressar. No outro extremo, algumas marcas maiores de varejo já se deram conta do seu impacto negativo e estão criando instituições, fundações e incentivos para gerar novas formas de fazer roupa e liderar um movimento positivo sobre a cadeia de produção. Que bom que elas existem e se preocupam em mudar, mas eu não sei se fazem moda propriamente, eles reproduzem uma roupa mais autêntica que vem da rua, como tem sido por muito tempo.

Em pouco mais de um ano na Malha, eu observei esse novo movimento de pessoas querendo fazer diferente e fazer a diferença. Empreendedores criando projetos com propósito muito claro: menos impacto no ambiente, valorização justa da cadeia de produção, expressão de um estilo de vida mais autêntico e democrático. Metas para gerar milhões em lucro ou abrir 80 lojas pelo país não fazem sentido nesse cenário. Querem viver do que amam e acreditam e assim investem toda sua energia, tempo e dinheiro nadando contra uma corrente que ainda não enxerga o valor real nessa transição da produção e consumo do mercado de moda. Estes são os novos empreendedores da moda contemporânea que serão os agentes multiplicadores desta mudança: jovens, periféricos, pequenos, experimentais, inclusivos, destemidos e apaixonados por moda.

Lilly Clark ] CEO da Malha [