Sustentabilidade é a última palavra que você quer ouvir em 2018

foto de capa: Gordon Williams

Ah, a sustentabilidade. A palavra está na moda; o conceito ainda não. Em 2018, a moda sustentável está mais mainstream do que nunca. Mas ao contrário do que diz o nome — sustentar é manter, nutrir, resistir, perpetuar — o mercado de moda ainda confere à sustentabilidade o status de microtendência, tão efêmera quanto a própria moda. A sustentabilidade é um clássico à frente de seu tempo.

Não contente em esgotar os recursos naturais, a moda agora esgota também o discurso de marketing por trás da palavra. Usada como mote para campanhas e alçada ao posto de grande salvadora, a sustentabilidade é intangível [e inatingível]: se a própria civilização é insustentável, o que determina se um produto de moda é verdadeiramente sustentável ou não? Como a moda sustentável se faz possível?

A primeira edição do LHAMA explora as diversas facetas e reais fronteiras da sustentabilidade na moda. A natureza do produto principal da moda, a roupa, aponta o foco para a sustentabilidade ambiental. Surgem desenvolvimentos de fibras, técnicas de corte, ciclos de reaproveitamento a fim de minimizar o impacto que as roupas têm no meio-ambiente. Mas as soluções ainda são caras, excludentes, complexas, inviáveis. Não são soluções. O problema da sustentabilidade não é pontual — é sistêmico e passa por todas as esferas do mercado, em 4 dimensões: ambiental, cultural, social e econômica.

foto: Charles Etoroma

A sustentabilidade que precisamos é bem menos do que o produto perfeito ou a empresa que não erra. Ela está espalhada em diferentes metodologias e tecnologias, impulsionada por diferentes mercados, compartilhada por diferentes pessoas. Ela especialmente tem tamanhos variados, mas de igual importância: dos sistemas revolucionários de renovar recursos à relação entre uma pessoa e seu vizinho. Para ser sustentável, não é preciso ser grandioso — é preciso começar.

Como toda questão sistêmica, a solução está em uma mudança profunda de comportamento em larga escala. Para mudar comportamentos, e com eles alterar as percepções que temos sobre as realidades possíveis e viáveis, é preciso criar novos hábitos [em um nível individual] e rituais [coletivamente]. É destas novas atitudes que fala o LHAMA #001. São projetos, tecnologias, expressões, negócios e ideias que começam a compor a nova história da sustentabilidade na moda; uma sustentabilidade experimental e imperfeita, mas com bases sólidas para a transformação.

Letícia Magalhães ] cofundadora da Malha [