A Alcione ama sempre o mesmo cara?

Se olharam uma vez na escada da estação de trem, naqueles dias uma da tarde, quando não está tão cheio que não dê para sentar. Ele chegou junto, porque na humanidade existem aqueles que chegam junto depois de um sorriso. Ela seguiu caminhando sabida do resultado, foi como uma faísca na cara dos dois. Pegos de bobeira pelo gostinho que dá na boca quando nos interessamos por alguém de cara.

Da outra vez ela passou por ele, não reconheceu no início. Ficou olhando a pintura como se foda-se o resto. Ele que tinha pintado. Sorrindo concentrado, balançando os braços na camiseta. Revisando pinceladas na madeira. Não foi difícil. Foi exato. Sorrisos idênticos. Dentes molhados. Beijos eternos. Que loucura, mi. Ela estava de guardação. Mas estava guardando pela metade. Procurou por ele e entregou 1/4, depois disso o acaso nunca mais funcionou.

Acaso, meu querido, volte. Precisamos tomar um chá!

Melhor foi quando ela empreendeu no romance. Chegou e disse “o Sr. é maravilhoso. Como pode?”como se aquela fosse uma questão científico-filosófica. Pavoneou-se. Quente como o quarto do pai do fogo. Foi temporada de aguinha nele pra fazer sair fumaça. Todas as vezes ficavam molhados da cabeça aos pés. Das costas ao peito. Na secreta, era ela quem evaporava na suadeira. Coisa que não necessitava de estimulante externo, era suor, melaço e saliva… Esse ela cultivava como maconha no sol, com intensidade e carinho. Mandando nudes porque gostava de sentir e imaginar aquela mão na sua nuca.

Um amor tímido, daqueles que vão te olhar para sempre e ficar no plano das ideias. Não se ela precisasse de uma carona a pé até a estação. É que é escuro à noite, sabe? E ainda bem, eles tiveram que se conversar e ele sorrir de bobo com o pedido “posso ir com você para não ir sozinha?”. É lindo o amorzinho. Esse do vamos namorar, né gata? Embora ela sempre se confunda sobre como isso começa e como isso termina.

Ela quem, diaba?

Não sei se é a Alcione. Não conheço ela, mas amo suas histórias. Ai… Garoto maroto me faz de brinquedo não posso mais alimentar a esse amor tão louco sou mulher capaz de tudo pra te ver feliz,

Mas também sou de cortar o mal pela raiz.

Ela mesma.

Será que ela amou o mesmo cara em todas as músicas?

Um dia ele chegou enfeitiçando. Ele tinha um anel de prata e não gostava que ela tocasse as pedras que os hippies tentavam lhe vender na rua. Ele era um leão. O que significava a pavonice junto do orgulho e do vou te prover porque sou sensacional (se estás convicto, malandro.). Falava feito um Rei Preto que vence todas as guerras que entra. Tá vendo? Nem ela sabia como e quando se apaixonou por ele, ela só se apaixonou. Ficou fiel. Imagina? Secou para os outros porque só tinha sede no fulano. É muito bonita essa coisa. Principalmente para quem sente. Quem vê de fora a patasquada acontecendo quando nada ocorre na mesma frequência é que ganha o ingresso do cinema. Mas, mesmo assim, o amor que quer fechar o corpo para morada única é bonito demais.

Mas será que ela amou?

Quem?

Ela.

Vai saber, deus que sabe. Será que ele a amou?

Pera… Era o mesmo cara?