Cavuco o peito

Cavuco o peito e não choro mais, a ferida hoje dá coceira e até parece bonita.

Só aprendi a dizer não depois de muitos sins certos e o fatídico errado, mas se eu tivesse dito não quem seria eu hoje?

Eu não disse não. Eu disse chega. CHEGA.

“CHEGA. EU NÃO QUERO MAIS.” Cavuquei do peito. Nem dói mais.

Minha amiga me disse que não tinha medo de morrer — e, por conseguinte, também não tinha medo de matar.

Foi-se o meu. Não tenho mais medo de matar, sou dona da rua. E se vier vamos até o final. Tem uma faca no meu cabelo e eu enfio meus dedos na bola dos olhos de quem vier. Venha que eu espero. Venha! Venha!

Mentira, eu sou pacífica. Isso tudo é raiva contida daquilo que não aconteceu.

Mas eu fiquei sem medo. Depois que você morre uma vez o medo some.

Cavuco o peito.

Hoje sou mais livre — obrigada desgraçado. Se não fosse você seria outro, se não fosse daquele jeito seria de outro. Ainda bem que existem vocês. Para nos alertarem que a máxima de Hobbes vive. Lobos.

Com essa mordida eu comecei a uivar, me cresceram pêlos e eu saí pela noite. Hoje não tenho mais medo. Pode me tocar. Eu continuo dócil.

Pode me amar, eu continuo fácil.

Pode tentar me matar. Mas eu te mato primeiro.

Cavuco no meu peito e não encontro mais nada. Deve ser por isso que agora eu não tenho medo.

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