Como pensar o Serviço Pastoral em tempos de Stories que se autodestroem?

Cresce a busca nas redes sociais e aplicativos por ferramentas que autodestroem o conteúdo após 24 horas. Pensando nisso, pergunto: Quais são os desafios de pensar a revelação e o serviço pastoral para uma geração efêmera?

Me lembro quando estava em um curso e a palestrante pediu que indicássemos nomes de redes sociais. Um jovem falou “Whatsapp[1]”, ela como se esperasse por isso disse; “O whatsapp não é uma rede social é um aplicativo de Instant Messenger[2], ou seja, um aplicativo de conversação online”. Mas, já dizia Heráclito, tudo é mutável neste mundo. Quando os Snapchat[3] surgiu, com a sua característica “efêmera”, ou seja, as postagens duravam apenas segundos, conquistou o mundo, em especial os jovens da geração millennials[4]. Ele era o único, se diferenciava de muitas redes sociais, o conteúdo postado não podia ser arquivado ou baixado. Em 24 horas tudo se alto destruíra. Os empresários aprenderam com a queda do “Orkut”. Uma das primeiras redes sociais a se tornar febre no Brasil. Mas, ela não estava atenta aos desejos e mudanças comportamentais da sociedade. Rapidamente foi substituída por outra, que respondia aos anseios. Na Irlanda, desde o fim de janeiro, Zuckerberg criador do facebook está testando o Facebook Stories[5]. Ferramenta similar no Instagram e comparada ao “status” no whatapp. Todas elas “imitam” o snapchat, ou seja, todo o conteúdo é autodestruído após 24 horas.

Qual a influência destas ferramentas que se multiplicam nas redes sociais e aplicativos de conversação, no comportamento humano e em especial dos jovens? Podemos pensar que surge hoje uma “Geração Efêmera”? Caracterizada pela rapidez, que não quer deixar rastros, ou deixar a menor quantidade possível? Spadaro afirma que “a sociedade digital não é mais pensável e compreensível somente através dos conteúdos, mas principalmente através das relações”. Mas, qual é a forma de relação que está surgindo? Sabemos que mudanças estão acontecendo. Cada vez mais as pessoas não estão querendo compartilhar tudo de forma pública. Estão compartilhando apenas com amigos especificos, ou até mesmo em grupos fechados ou com contatos específicos no whatsapp.

Em tempos de pós-verdade, de manifestos de Zuckerberg surgem inúmeros questionamentos. A forma que usamos os aparelhos eletrônicos e o jeito que vivemos no ambiente digital tende a influenciar em nosso comportamento. Recentemente em entrevista para a Rádio do Vaticano o secretário de Comunicação da Santa Sé, Mons. Lucio Adrian Ruiz, afirmou que “onde está o homem, ali também está a Igreja, por isso o Papa está presente no Twitter e no Instagram”. Me questiono que homem está na rede? Qual é a forma que ele está na rede? Sinto que a Igreja precisa dar passos. A presença profética na rede não pode ser apenas uma “produção de conteúdo”, mas um testemunho do real que deve se propagar e atrair. Como disse o Papa Francisco, “a Igreja não cresce por proselitismo, cresce por atração do testemunho alegre do anúncio de Cristo ressuscitado”. Papa Francisco na sua mensagem para o 51ª Dia Mundial das Comunicações sociais, nos convida a não ter medo, garantindo-nos que o Senhor está conosco e exorta a comunicar a esperança. Em nosso tempo, diante das novas realidades, somos chamados a dar uma resposta profética e cheios de esperança.

Frei Malone Rodrigues, OFM, Missionário Franciscano, Estudante de Teologia

[1] O WhatsApp Messenger é um aplicativo de mensagens instantâneas para Smartphones. Com ele, os usuários podem se comunicar com seus contatos.

[2] Instant Messenger: mensageiro instantâneo ou comunicador instantâneo, também conhecido por IM (do inglêsInstant Messaging), é uma aplicação que permite o envio e o recebimento de mensagens de texto em tempo real.

[3] O Snapchat é uma rede social de mensagens instantâneas voltado para celulares com sistema Android e iOScriada. O app pode ser usado para enviar texto, fotos e vídeos e o diferencial é que este conteúdo só pode ser visto apenas uma vez, pois é deletado logo em seguida, se “autodestruindo” do app.

[4] A geração ‘Millennials’ é o termo usado para categorizar os indivíduos que nasceram entre 1980 e 2000. A definição foi criada pelos autores norte-americanos William Strauss e Neil Howe em 1991, tal como explica a revista Forbes. Pertencem a esta geração os jovens entre os 15 e 35 anos, filhos da Geração X e netos dos ‘baby boomers’. São apresentados como a primeira geração de nativos digitais.

[5] É uma função no Facebook que permite compartilhar vídeos ou fotos por 24 horas. Depois desse período, o conteúdo é simplesmente é apagado, de maneira similar ao que acontece no Snapchat.

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